domingo, 25 de março de 2018

BRINQUEDOS E TEA

Segundo o Dr. Clay Brites (Doutorando em Ciências Medicas pela UNICAMP, Pesquisador do Laboratório de Pesquisa em Dificuldades de Aprendizagem e Transtornos da Atenção, Membro do Departamento de Neurologia da Sociedade Paranaense de Pediatria, Presidente da Abenepi): 

Nem todo brinquedo deve ser usado pela criança com autismo, considerando a hipersensibilidade tão comum a ela. Há autistas que têm grande sensibilidade auditiva ou tátil. Um detalhe importante é que a criança autista também apresenta distúrbios sensoriais no que se refere a determinadas texturas. Ela também não gosta de situações que a coloquem apertada (brincadeiras) e pode não gostar de alguns tons de vozes. Então, é importante conhecer a criança para compreender o seu gosto. (PORTAL ENTENDENDO AUTISMO, 2017). 

Nem toda criança autista sabe usar o brinquedo de forma correta. Você deve estar se perguntando: "como assim?"! Nem sempre a criança com TEA usa o brinquedo no seu objetivo de fabricação, vamos dizer assim. Você oferece a uma criança com TEA um carrinho. Ela vai virar o carrinho com as rodas para cima e ela vai passar horas girando as rodinhas do carro. Crianças com TEA são fascinadas por ventiladores, parecem estar hipnotizadas pelo girar de suas hélices. Uma criança pode se apaixonar por um brinquedo apenas porque a cor chamou sua atenção. Essa característica é fácil de ser observada. O modo como as crianças autistas brincam é muitas vezes chamado de incomum, porque é diferente do que você vê em crianças tipicamente em desenvolvimento – há menos jogo de papéis, elas podem tornar-se obcecado com um tipo particular de brinquedo ou apenas uma parte dele e muitas vezes brincar com objetos que não são tradicionalmente considerados brinquedos. 

A escolha do brinquedo para a criança com TEA é uma tarefa importante. A seguir selecionamos alguns cuidados a se ter na escolha de um brinquedo para crianças com TEA (THE AUTISM PROGRAM, s.d.): 

Comprar brinquedos que são apropriados para a idade de desenvolvimento da criança, não necessariamente a idade cronológica listada na caixa pelos fabricantes (por exemplo: a criança tem 5 anos, mas se encontra na fase de desenvolvimento de 3 anos); 
• Preste atenção aos perigos de asfixia nas caixas mesmo após a idade de 3 anos. Experimente comprar brinquedos que são todos em uma peça ao invés de um brinquedo com muitas peças pequenas, para evitar o risco de sufocação pois algumas crianças com autismo tem a síndrome de Pica ou Alotriofagia (caracteriza-se por um apetite por substâncias não nutritivas, como terra, carvão ou tecidos, isto é, comer certos objetos que são considerados mentalmente inapropriados); 
Evite objetos/brinquedos que possam ser esmagados se cair. Isto é especialmente útil se a criança tem birras frequentes; 
• Algumas crianças com autismo gostam de rasgar papel. Para evitar privá-los de livros, você pode comprar livros mais rígidos ou livros de plástico (aqueles usados em banho de bebês); 
• Muitos brinquedos podem ser esmagadora por uma criança com autismo. É útil para eles se concentrar em uma coisa de cada vez. Pode ser preferível comprar alguns brinquedos maiores em oposição a muitos brinquedos menores; 
Como uma alternativa aos brinquedos, considere levar a criança com TEA a museus, jardins zoológicos, onde a criança pode ter um interesse especial. Certifique-se que a criança irá desfrutar de uma visita ao local e se o local realmente será estimulante para a criança (não para os pais apenas); 
• Não se desespere se os brinquedos que você escolheu não parecem interessar a criança imediatamente. Tente novamente em uma data posterior, ou tente determinar por que a criança não gosta do brinquedo e ver se ele pode ser adaptado. Por exemplo, se a criança não gosta do brinquedo porque é muito barulhento, o som pode ser silenciado ou desconectado; 
Tente comprar brinquedos, computadores e jogos multissensoriais para incentivar melhor a aprendizagem. No entanto, tenha cuidado para não obter um brinquedo ou jogo que é muito difícil ou isso se tornará frustrante para a criança (ao invés de diverti-lo); 
• Compre brinquedos que estejam relacionados aos gostos da criança (interesses especiais). Se ele gosta de animais da fazenda, não adianta comprar animais da África, por exemplo; 
Os brinquedos convencionais podem ser úteis porque são familiares para outras crianças e podem encorajar a socialização; 
• Os brinquedos terapêuticos (especialmente concebidos para determinada função) pode ser útil porque eles podem se concentrar em uma habilidade específica; 
Tente equilibrar os brinquedos educacionais/terapêuticos com os tipos de brinquedos favoritos. 

Por favor, dê os créditos ao autor do artigo, fazendo a referência correta:
MENEZES, Ana Paula Sá. O Ato Terapêutico do Brincar para Crianças com Autismo. Educar FCE, v. 9, n. 1, p. 62-75, out. 2017. Disponível em: http://www.fce.edu.br/pos/educar-fce-9a-edicao 

Crianças com TEA amam estrutura e rotina pois isso lhes dá segurança. Essas crianças necessitam compreender o que devem fazer, na sequência. É geralmente quando seu filho não sabe o que fazer que ele vai se envolver em comportamento inadequado, ficar frustrado e tornar-se difícil de gerir suas crises (MCAULIFFE et al, 2016; STOPPELBEIN et al, 2016; SHEA, 2014). 
Em casa, tudo deve ser planejado para isso. Ao se propor uma brincadeira com uma criança com TEA, deve-se visualizar primeiramente a brincadeira na sua mente (como algoritmos) e ir planejando os passos na sequência para, depois, brincar com essa criança. Então, a criança aprenderá de uma maneira lógica.  
Precisamos também lembrar que uma criança com TEA é apenas uma criança. Como pais, esquecemos muitas vezes que são apenas crianças e passamos a focar apenas no transtorno. Nossa preocupação é o estímulo. Mas, essa criança precisa descansar, precisa de um momento de brincar sozinha, de ter seu espaço. Isso também é terapêutico. Segundo o Dr. Clay Brites (2017), “[...] o certo é introduzir aos poucos as atividades para que o pequeno descubra, com o auxílio de um mediador, o que ele gosta”. 

Não se esqueça que a criança com autismo precisa de atenção, paciência e muito amor para que ela se desenvolva através de um tratamento devido e com muita compreensão. 

O ato de brincar nasce da curiosidade e da exploração. Mas tem que ser uma exploração segura. E aqui, deve se ter um cuidado especial com o autista, pois eles não têm noção de perigo. Lembrando que: Curiosidade e exploração são partes do cenário de qualquer brincadeira. 

Por favor, dê os créditos ao autor do artigo, fazendo a referência correta:
MENEZES, Ana Paula Sá. O Ato Terapêutico do Brincar para Crianças com Autismo. Educar FCE, v. 9, n. 1, p. 62-75, out. 2017. Disponível em: http://www.fce.edu.br/pos/educar-fce-9a-edicao 

PADRÕES DE BRINCADEIRA NO TEA


Há muitas formas de brincadeiras, de muitos diferentes padrões, incluindo (GURUPARENTS, 2015; GUIA MINHA SAÚDE ESPECIAL, 2016; MASEYK, 2017; NATIONAL INSTITUTE FOR PLAY, 2017):  
Entre no link e leia o artigo na íntegra: http://www.fce.edu.br/pos/educar-fce-9a-edicao 
Brincadeira de movimentar o corpo 
Qualquer atividade que ajude a criança a desenvolver a sua compreensão de como funciona o seu corpo, se enquadra nesta categoria. Correr, saltar, pular, dançar e cantar são atividades alegres que podem ajudar a estimular a coordenação, mas também ajudam a conduzir a aprendizagem. Este tipo de jogo é tão importante na medida em que promove a coordenação muscular e também ajuda as crianças a aprender sobre seu ambiente natural. Por exemplo, saltar melhora a coordenação da criança e a ensina algo sobre a gravidade. Aliás, o brincar muitas vezes é um desejo espontâneo de escapar da gravidade. Cantando canções desenvolve acordes vocais na criança, mas também ensina a criança sobre música. Entretanto, algumas crianças com TEA não participam nesse tipo de brincadeira porque podem apresentar um quadro de disfunção de integração sensorial. Então, o que fazer? Incentivar atividades e brincadeiras que o ajudem a desenvolver equilíbrio, como agacha-agacha e amarelinha. 
Brincar com objetos 
Se a criança está brincando com brinquedos (ou bonecos/as), batendo um objeto em outro, batendo em tampas de panelas ou chutando uma bola, estão desenvolvendo sua curiosidade acerca do objeto que está sendo utilizado no ato de brincar. A mão humana ao manipular objetos, é a mão em busca de um cérebro. O cérebro está em busca de uma mão. O ato de brincar manipulando objetos é o meio através do qual mão e cérebro se conectam da melhor forma possível. Para a criança autista, talvez isso também seja desconcertante, haja visto que essa criança não sabe usar o brinquedo de maneira adequada. Todavia, isso pode ser mudado simplesmente com os pais sentando com essa criança no chão e ensinando a ela como se brinca com o carrinho, com os blocos de montar, com os bonecos. 
Brincadeira social 
Este tipo de brincadeira envolve a interação entre pessoas. Este tipo de jogo abrange uma série de atividades com a criança, como brincar com outras crianças e inclui a queda, brincar de lutar, as emoções estampadas no rosto e a construção de conexões com os outros. Isso também é difícil para o autista, já que ele tem dificuldade em reconhecer emoções no rosto de outras pessoas. A importância desse tipo de brincadeira é que brincadeiras sociais são parte do porquê estarmos aqui hoje convivendo em sociedade, além de ser um subproduto do cenário da brincadeira. Às crianças pré-escolares, deveria ser permitido mergulhar, bater, assobiar, gritar, serem caóticas, e desenvolverem a partir disso, muito de sua regulação emocional e muitos outros subprodutos sociais – cognitivos, emocionais e físicos –, que fazem parte de uma brincadeira de lutar, por exemplo. Esse tipo de brincadeira desenvolve consciência social, cooperação, autoestima e amor-próprio. 
Brincadeira de Faz-de-conta 
Contar histórias, leituras em conjunto e recontar os eventos do dia: isso leva a criança à habilidade de tirar um sentido do mundo e descobrir seu lugar nele. Sempre que uma criança inventa histórias de sua imaginação e age dentro dessa história ela se encontra envolvida em uma forma única de brincar. Exemplos incluem brincar de príncipe/princesa, brincar de ser pirata, dentre outros. Fantasiar ser um personagem imaginário é uma brincadeira muito importante, pois nos ajuda a criar uma narrativa interna que é a nossa própria história. A unidade de inteligibilidade da maior parte de nossos cérebros é a história. Aqui também reside a importância da contação de histórias para os pequenos. Muitos autistas não conseguirão brincar de fantasiar histórias. Mas, precisamos encontrar maneiras para superar esse obstáculo. Por que não contar a história de Peter Pan, que era um menino que voava, já que o autista ama a sensação de voar? 
Brincadeira de Narrativas 
Essa atividade oferece às crianças a oportunidade de compor e contar histórias por iniciativa própria, que poderão ser ditadas a uma pessoa designada e, em seguida, essas crianças poderão atuar em suas histórias em colaboração com outras crianças que escolherem. Nesta sala de aula, a panela narrativa da atividade tem lugar logo após o café da manhã. Estes eventos narrativos devem ser voluntários e sem a intervenção de um adulto – mesmo que mínima. Nenhuma criança é pressionada a contar uma história, as crianças podem contar qualquer tipo de história que desejam e os adultos são desencorajados a usar esta oportunidade para corrigir a gramática, o vocabulário ou a estrutura narrativa das crianças.  A metodologia se dá numa determinada ordem: (i) as crianças sentam em um semicírculo; (ii) todas as histórias criadas durante esse dia são lidas em voz alta; (iii) a criança-autor escolhe um personagem na história para brincar e escolhe outras crianças para as funções restantes; (iv) a história é lida em voz alta uma segunda vez pelo adulto, esclarecendo-se quem é a criança-autor, as crianças-atores e as demais crianças que restaram que servirão como público. Quando esta prática é estabelecida como uma parte regular das atividades da sala de aula, todas as crianças da turma normalmente participam de três papéis inter-relacionados: compor e ditar histórias, participar da representação de histórias (próprias e de outras crianças) e assistir ao desempenho das histórias das outras crianças na classe. Nos EUA, essa prática de storytelling e story-acting é usada com bastante frequência e há sempre crianças prontas para contar histórias.  
Brincadeiras Criativas (Modelagem ou Pintura) 
Este jogo ocorre quando as crianças usam a imaginação para criar novas maneiras ou ideias sobre como fazer as coisas. Tende a satisfazer a necessidade de auto expressão, bem como desenvolver habilidades manuais. É uma brincadeira que as crianças fazem quando estão apenas querendo ser crianças. Por exemplo, uma pessoa pode experimentar para encontrar uma nova maneira de usar um instrumento musical. Permitir que a criança desenvolva habilidades no processo criativo irá defini-la como um pensador criativo em todas as esferas da vida. De fato, o pensamento criativo e a resolução criativa de problemas estão se tornando algumas das principais competências que os empregadores procuram na força de trabalho. Brincadeiras criativas são uma ótima maneira de desenvolver as habilidades de comunicação da criança em um ambiente divertido e solidário. Quando as crianças estão envolvidas com o material escolhido, percebe-se que elas falam consigo mesmas sobre o que está acontecendo. Isso, por sua vez, leva a construir seu vocabulário e desenvolver sua imaginação. 
Por favor, dê os créditos ao autor do artigo, fazendo a referência correta:
MENEZES, Ana Paula Sá. O Ato Terapêutico do Brincar para Crianças com Autismo. Educar FCE, v. 9, n. 1, p. 62-75, out. 2017. Disponível em: http://www.fce.edu.br/pos/educar-fce-9a-edicao 



CADA CRIANÇA, UMA DEMANDA


O TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA – TEA 

O autismo decorre de uma ruptura do desenvolvimento cerebral causada por uma combinação de genes e meio ambiente (WEINTRAUB, 2011). Desde a década de 1970, foi sabido por estudos de gêmeos que existe um alto grau de herdabilidade, mas não completo. Nos últimos anos, esforços bem financiados e coordenados, aliados aos avanços em tecnologia, levaram a estudos em grande escala de poder estatístico sem precedentes, produzindo dados impressionantes sobre a genética da condição. Entretanto, esses dados confirmaram apenas que a resposta é incrivelmente complicada. Com a exceção de alguns distúrbios raros, como a síndrome de X-frágil ou Rett, que leva a formas de autismo, nenhuma interrupção de um gene individual ou conjunto de genes, pode prever de forma confiável a condição. (STATE; LEVITT, 2011).
Segundo o DSM-V, as características para o diagnóstico do TEA são: 
[...] prejuízo persistente na comunicação social recíproca e na interação social (Critério A) e padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades (Critério B). Esses sintomas estão presentes desde o início da infância e limitam ou prejudicam o funcionamento diário (Critérios C e D). O estágio em que o prejuízo funcional fica evidente irá variar de acordo com características do indivíduo e seu ambiente. [...]. Manifestações do transtorno também variam muito dependendo da gravidade da condição autista, do nível de desenvolvimento e da idade cronológica; daí o uso do termo espectro. (AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION, 2014, p. 53). 
No Brasil, o diagnóstico é pautado pelo CID 10 – F84.0: 
Transtorno global do desenvolvimento caracterizado por a) um desenvolvimento anormal ou alterado, manifestado antes da idade de três anos, e b) apresentando uma perturbação característica do funcionamento em cada um dos três domínios seguintes: interações sociais, comunicação, comportamento focalizado e repetitivo. Além disso, o transtorno se acompanha comumente de numerosas outras manifestações inespecíficas, por exemplo fobias, perturbações de sono ou da alimentação, crises de birra ou agressividade (autoagressividade). (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE, 1997). 
O TEA atinge atualmente um a cada 68 nascidos, a maioria meninos. Recebe o nome de espectro porque envolve situações e apresentações muito diferentes umas das outras, numa gradação que vai das mais leves (Asperger) à mais grave (autismo clássico ou autismo severo). Os meninos são quase cinco vezes mais propensos a serem identificados com autismo do que as meninas. Aproximadamente, um em cada 42 meninos nascidos e uma em cada 189 meninas nascidas estão sendo identificados com TEA. As crianças brancas ou caucasianas são mais propensas a serem identificadas com autismo do que as crianças negras ou hispânicas. Cerca de uma em cada 63 crianças brancas são identificadas, em comparação com uma em 81 crianças negras e uma em 93 crianças hispânicas (COURSERA, 2016). Apesar da escassez de dados nacionais, um estudo epidemiológico recente na cidade de Atibaia-SP, com 1.470 participantes entre 7-12 anos de idade, estimou uma prevalência de 27,2/10.000 habitantes (Intervalo de Confiança – IC 95%: 17,6 a 36,8). Um fato observado no estudo é de que, dos indivíduos com TEA somente um dos quatro já sabia previamente o diagnóstico (recebido aos 6 anos) e os outros três casos não recebiam nenhum atendimento especializado. (CONITEC, 2014). Cientistas suspeitam que o que se denomina autismo pode ser uma série de condições distintas que possuem diferentes etiologias genéticas e ambientais, mas produzem sintomas similares (WEINTRAUB, 2011).   
O TEA se apresenta em três níveis: (i) grau leve – necessidade de pouco apoio –; (ii) grau moderado – necessidade de apoio substancial –; (iii) grau severo – necessidade de apoio muito substancial. Esse apoio deve considerar as necessidades individuais, as dificuldades na comunicação, nos interesses restritos e comportamentos repetitivos (AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION, 2014).
Fala-se também em Autismo de Alta Funcionalidade que são aqueles indivíduos que sofrem determinado desenvolvimento intelectual e linguístico, mas que não são classificados como Asperger (BRITO et al, 2013). A intervenção precoce com terapia em pacientes com autismo pode efetivamente melhorar significativamente os sintomas. Atualmente, a análise do comportamento aplicado é uma abordagem aceita mundialmente em terapias com crianças com TEA.  
Nos últimos anos, a investigação das características de brinquedos terapêuticos para crianças com TEA tem sido considerada como um método importante para a compreensão da patologia do autismo e mais estudos foram realizados usando este tipo de método de brincadeira (TSENG; TSENG; CHENG, 2016).
Por favor, dê os créditos ao autor do artigo, fazendo a referência correta:

MENEZES, Ana Paula Sá. O Ato Terapêutico do Brincar para Crianças com Autismo. Educar FCE, v. 9, n. 1, p. 62-75, out. 2017. Disponível em: http://www.fce.edu.br/pos/educar-fce-9a-edicao 


CADA CRIANÇA, UMA DEMANDA 

O autismo é caracterizado por três traços comuns: (i) dificuldades com a interação social, (ii) comunicação verbal e não-verbal alterada e (iii) comportamentos repetitivos. Até que ponto uma pessoa é afetada pelo autismo varia, e é importante lembrar que duas pessoas – apesar de serem diagnosticadas com TEA não são iguais. O que dá certo para uma criança não necessariamente dará certo com outra criança autista. A boa notícia é que, devido ao aumento dos diagnósticos de autismo precocemente, há muito o que se pode ser feito para apoiar as pessoas que convivem com crianças com TEA. 
 A intervenção precoce é fundamental ao apoiar uma pessoa com autismo. Apoiar uma criança através da ludicidade é a melhor maneira para elas aprenderem. O ato de brincar é mais do que deixar uma criança brincar com brinquedos. No TEA, o objetivo do brincar vai mais além do que com crianças neurotípicas: é a interação social e o engajamento com as pessoas.  
Para a criança com TEA, o ato de brincar passa a ter uma abordagem em que essas crianças podem usar a função do corpo para expressar uma emoção inerente para alcançar a comunicação interativa, estabelecendo assim habilidades interpessoais e promovendo a adaptação social (TSENG; TSENG; CHENG, 2016). No entanto, dado que estão limitados pelas dificuldades de interação e comunicação, as crianças autistas geralmente jogam sozinhas, raramente interagindo com outras pessoas. Assim, seus padrões de brincadeiras tendem a ser bastante fixos e repetitivos. 
Nada ilumina mais o cérebro tanto quanto o ato de brincar. Brincadeiras tridimensionais ativam o cerebelo, que mandam vários impulsos para o lobo frontal, o que ajuda o desenvolvimento da memória contextual (GURUPARENTS, 2015; NATIONAL INSTITUTE FOR PLAY, 2017). Das primeiras experiências do ato de brincar, as crianças aprendem a compreender a linguagem corporal, o contato visual, a atenção conjunta, a iniciação, a partilha, a resolução de problemas e as habilidades de referência. O ato de brincar ajuda as crianças a desenvolverem habilidades importantes que precisarão para o resto de suas vidas. 
O National Institute for Play é uma instituição de pesquisa sobre o Ato de Brincar (2017). É uma corporação sem fins lucrativos de benefício público comprometida em trazer o conhecimento, práticas e benefícios do ato de brincar na vida do ser humano. Fundado pelo Dr. Stuart Brown, formado em Psiquiatria e Pesquisa Clínica. Ele descobriu pela primeira vez a importância do jogo discernindo sua ausência em um grupo cuidadosamente estudado de jovens homicidas, começando com o assassino em massa da Torre da Universidade do Texas, Charles Whitman. Mais tarde, tornou-se diretor clínico fundador e chefe de Psiquiatria no Mercy Hospital e Medical Center e professor associado na UCSD em San Diego, Califórnia. Ao longo de sua carreira clínica, ele entrevistou milhares de pessoas para capturar seus perfis de brincadeiras. A catalogação de seus perfis demonstrou a presença ativa do ato de brincar nas realizações das consequências negativas muito bem sucedidas e igualmente identificadas que se serial killers acumulam inevitáveis em uma vida privada do ato de brincar. Ao se falar em assassinos, dentre outros, muito se fala na criação violenta que tiveram, muitos foram vítimas de agressões, inclusive de cunho sexual. Pouco se falava, entretanto, na falta do brincar na vida dessas crianças. Numa das pesquisas do Dr. Stuart, os pesquisadores programaram ratazanas para que, num determinado período de sua infância um grupo brincasse e outro grupo ficasse privado do ato. Depois, ambos os grupos foram expostos a uma situação de estresse e ambos fugiram e se esconderam. Entretanto, o grupo que foi permitido participar do ato de brincar, mesmo com medo, saiu do esconderijo lentamente para explorar o ambiente e verificar se estavam fora de perigo. O outro grupo permaneceu acuado e escondido até morrerem. Os pesquisadores concluíram que o ato de brincar é muito útil para a nossa sobrevivência. Muitas pesquisas com animais estão sendo realizadas e todas elas levam a uma mesma conclusão: a privação do ato de brincar, leva os indivíduos à depressão. (NATIONAL INSTITUTE FOR PLAY, 2017). 
A criança autista não brinca como as outras. Para que elas se envolvam apropriadamente com as várias demandas e respondam a elas, requerem o auxílio de um terapeuta experiente e um amplo espaço com muitos brinquedos e equipamentos simples, porém especiais. Quando o terapeuta está fazendo o seu trabalho de forma eficiente, a criança está organizando o seu sistema nervoso e parece que está simplesmente vivenciando um passatempo. (GUIA MINHA SAÚDE ESPECIAL, 2016).  

Entre no link e leia o artigo na íntegra: http://www.fce.edu.br/pos/educar-fce-9a-edicao 

O ATO TERAPÊUTICO DO BRINCAR PARA CRIANÇAS COM AUTISMO


Ao receber o diagnóstico de TEA para seus filhos, muitos pais tendem a se questionar por que conosco. Essa fase é dolorida, pois as expectativas que esses pais projetavam sobre suas crianças precisam ser completamente modificadas. Após o impacto inicial, a segunda pergunta é: o que posso fazer para ajudar meu filho. A resposta a essa pergunta, na atualidade, resume-se a se apropriar de informação. O TEA é uma condição crônica, não tem cura, mas com o tratamento precoce, essa criança tem a possibilidade de ter uma melhoria em sua qualidade de vida, tornando-a mais autônoma em sua vida adulta. Nos últimos anos, a investigação das características de brinquedos terapêuticos para crianças com TEA tem sido considerada como um método importante para a compreensão da patologia do autismo. O objetivo desse artigo é apresentar o ato de brincar como uma forma de terapia no tratamento da criança com TEA. A metodologia utilizada foi a revisão bibliográfica existente sobre o tema do ato de brincar e sua relação com o TEA. Conclui-se que, para a criança com TEA, o ato de brincar passa a ter uma abordagem em que essas crianças podem usar a função do corpo para expressar uma emoção inerente para alcançar a comunicação interativa. A criança com autismo precisa de atenção, paciência e muito amor para que ela se desenvolva através de um tratamento devido e com muita compreensão.

Por favor, dê os créditos ao autor do artigo, fazendo a referência correta:
MENEZES, Ana Paula Sá. O Ato Terapêutico do Brincar para Crianças com Autismo. Educar FCE, v. 9, n. 1, p. 62-75, out. 2017. Disponível em: http://www.fce.edu.br/pos/educar-fce-9a-edicao 

INTRODUÇÃO 

O autismo é considerado um Transtorno Global de Desenvolvimento pelo DSM-V (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais). Seu diagnóstico é baseado em um grupo diversificado de sintomas comportamentais: dificuldades sociais, interesses fixos, ações obsessivas ou repetitivas e reações inusitadamente intensas ou embotadas à estimulação sensorial – porque não existem marcadores biológicos confiáveis (ARAÚJO; LOTUFO NETO, 2013). Embora os sintomas do autismo frequentemente se tornem menos graves na idade adulta, o consenso sempre foi que seus principais sintomas permanecem. Muitas supostas curas do autismo são promovidas na Internet: tomar certas vitaminas e/ou suplementos nutricionais, usar desintoxicantes, dietas especiais com exclusão de caseína e glúten, remoção potencialmente perigosa de metais pesados do corpo e terapia de quelação. Entretanto, nenhuma evidência indica que qualquer um deles pode aliviar qualquer dos principais sintomas do autismo, e muito menos erradicá-lo. Não há cura para o autismo, apenas tratamento através de terapias e uso de medicações no controle de irritabilidade e agressividade. 

Ao receber o diagnóstico de Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) para seus filhos, muitos pais tendem a se questionar “por que conosco”. Essa fase é dolorida, pois as expectativas que esses pais projetavam sobre suas crianças precisam ser completamente modificadas. Após o impacto inicial, a segunda pergunta é: “o que posso fazer para ajudar meu filho”. A resposta a essa pergunta, na atualidade, resume-se a se apropriar de informação. Os pais precisam ler mais para que possam entender que o TEA é uma condição crônica, não tem cura, mas que com o tratamento precoce, essa criança tem a possibilidade de ter uma melhoria em sua qualidade de vida, tornando-a mais autônoma em sua vida adulta. Esse tratamento deve ser multidisciplinar e baseado em uma intervenção comportamental eficaz.
Enquanto a equipe multidisciplinar faz seu trabalho especializado, o que os pais podem fazer em casa? Se por um momento, eles pudessem parar de pensar na frase “e se...” e começassem a aceitar aquela criança com suas limitações? Como, por exemplo, apenas brincar com essa criança. 
 Esse prazer, muitas vezes é esquecido, devido ao fato de os pais precisarem se desdobrar entre o sustento da casa e as idas ao fonoaudiólogo, ao terapeuta ocupacional, ao psicólogo, ao musicoterapeuta, à equoterapia, dentre outras. Mas, o ato de brincar é uma forma natural de interação social. Ao brincarmos com essas crianças, podemos ajudá-las no desenvolvimento da linguagem, do pensamento e na capacidade de resolução de problema (TSENG; TSENG; CHENG, 2016). 
O objetivo desse artigo é apresentar o ato de brincar como uma forma de terapia no tratamento da criança com TEA.  
A metodologia utilizada foi a revisão bibliográfica existente sobre o tema do ato de brincar e sua relação com o TEA. 

Entre no link e leia o artigo na íntegra: http://www.fce.edu.br/pos/educar-fce-9a-edicao 



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