domingo, 25 de março de 2018

BRINQUEDOS E TEA

Segundo o Dr. Clay Brites (Doutorando em Ciências Medicas pela UNICAMP, Pesquisador do Laboratório de Pesquisa em Dificuldades de Aprendizagem e Transtornos da Atenção, Membro do Departamento de Neurologia da Sociedade Paranaense de Pediatria, Presidente da Abenepi): 

Nem todo brinquedo deve ser usado pela criança com autismo, considerando a hipersensibilidade tão comum a ela. Há autistas que têm grande sensibilidade auditiva ou tátil. Um detalhe importante é que a criança autista também apresenta distúrbios sensoriais no que se refere a determinadas texturas. Ela também não gosta de situações que a coloquem apertada (brincadeiras) e pode não gostar de alguns tons de vozes. Então, é importante conhecer a criança para compreender o seu gosto. (PORTAL ENTENDENDO AUTISMO, 2017). 

Nem toda criança autista sabe usar o brinquedo de forma correta. Você deve estar se perguntando: "como assim?"! Nem sempre a criança com TEA usa o brinquedo no seu objetivo de fabricação, vamos dizer assim. Você oferece a uma criança com TEA um carrinho. Ela vai virar o carrinho com as rodas para cima e ela vai passar horas girando as rodinhas do carro. Crianças com TEA são fascinadas por ventiladores, parecem estar hipnotizadas pelo girar de suas hélices. Uma criança pode se apaixonar por um brinquedo apenas porque a cor chamou sua atenção. Essa característica é fácil de ser observada. O modo como as crianças autistas brincam é muitas vezes chamado de incomum, porque é diferente do que você vê em crianças tipicamente em desenvolvimento – há menos jogo de papéis, elas podem tornar-se obcecado com um tipo particular de brinquedo ou apenas uma parte dele e muitas vezes brincar com objetos que não são tradicionalmente considerados brinquedos. 

A escolha do brinquedo para a criança com TEA é uma tarefa importante. A seguir selecionamos alguns cuidados a se ter na escolha de um brinquedo para crianças com TEA (THE AUTISM PROGRAM, s.d.): 

Comprar brinquedos que são apropriados para a idade de desenvolvimento da criança, não necessariamente a idade cronológica listada na caixa pelos fabricantes (por exemplo: a criança tem 5 anos, mas se encontra na fase de desenvolvimento de 3 anos); 
• Preste atenção aos perigos de asfixia nas caixas mesmo após a idade de 3 anos. Experimente comprar brinquedos que são todos em uma peça ao invés de um brinquedo com muitas peças pequenas, para evitar o risco de sufocação pois algumas crianças com autismo tem a síndrome de Pica ou Alotriofagia (caracteriza-se por um apetite por substâncias não nutritivas, como terra, carvão ou tecidos, isto é, comer certos objetos que são considerados mentalmente inapropriados); 
Evite objetos/brinquedos que possam ser esmagados se cair. Isto é especialmente útil se a criança tem birras frequentes; 
• Algumas crianças com autismo gostam de rasgar papel. Para evitar privá-los de livros, você pode comprar livros mais rígidos ou livros de plástico (aqueles usados em banho de bebês); 
• Muitos brinquedos podem ser esmagadora por uma criança com autismo. É útil para eles se concentrar em uma coisa de cada vez. Pode ser preferível comprar alguns brinquedos maiores em oposição a muitos brinquedos menores; 
Como uma alternativa aos brinquedos, considere levar a criança com TEA a museus, jardins zoológicos, onde a criança pode ter um interesse especial. Certifique-se que a criança irá desfrutar de uma visita ao local e se o local realmente será estimulante para a criança (não para os pais apenas); 
• Não se desespere se os brinquedos que você escolheu não parecem interessar a criança imediatamente. Tente novamente em uma data posterior, ou tente determinar por que a criança não gosta do brinquedo e ver se ele pode ser adaptado. Por exemplo, se a criança não gosta do brinquedo porque é muito barulhento, o som pode ser silenciado ou desconectado; 
Tente comprar brinquedos, computadores e jogos multissensoriais para incentivar melhor a aprendizagem. No entanto, tenha cuidado para não obter um brinquedo ou jogo que é muito difícil ou isso se tornará frustrante para a criança (ao invés de diverti-lo); 
• Compre brinquedos que estejam relacionados aos gostos da criança (interesses especiais). Se ele gosta de animais da fazenda, não adianta comprar animais da África, por exemplo; 
Os brinquedos convencionais podem ser úteis porque são familiares para outras crianças e podem encorajar a socialização; 
• Os brinquedos terapêuticos (especialmente concebidos para determinada função) pode ser útil porque eles podem se concentrar em uma habilidade específica; 
Tente equilibrar os brinquedos educacionais/terapêuticos com os tipos de brinquedos favoritos. 

Por favor, dê os créditos ao autor do artigo, fazendo a referência correta:
MENEZES, Ana Paula Sá. O Ato Terapêutico do Brincar para Crianças com Autismo. Educar FCE, v. 9, n. 1, p. 62-75, out. 2017. Disponível em: http://www.fce.edu.br/pos/educar-fce-9a-edicao 

Crianças com TEA amam estrutura e rotina pois isso lhes dá segurança. Essas crianças necessitam compreender o que devem fazer, na sequência. É geralmente quando seu filho não sabe o que fazer que ele vai se envolver em comportamento inadequado, ficar frustrado e tornar-se difícil de gerir suas crises (MCAULIFFE et al, 2016; STOPPELBEIN et al, 2016; SHEA, 2014). 
Em casa, tudo deve ser planejado para isso. Ao se propor uma brincadeira com uma criança com TEA, deve-se visualizar primeiramente a brincadeira na sua mente (como algoritmos) e ir planejando os passos na sequência para, depois, brincar com essa criança. Então, a criança aprenderá de uma maneira lógica.  
Precisamos também lembrar que uma criança com TEA é apenas uma criança. Como pais, esquecemos muitas vezes que são apenas crianças e passamos a focar apenas no transtorno. Nossa preocupação é o estímulo. Mas, essa criança precisa descansar, precisa de um momento de brincar sozinha, de ter seu espaço. Isso também é terapêutico. Segundo o Dr. Clay Brites (2017), “[...] o certo é introduzir aos poucos as atividades para que o pequeno descubra, com o auxílio de um mediador, o que ele gosta”. 

Não se esqueça que a criança com autismo precisa de atenção, paciência e muito amor para que ela se desenvolva através de um tratamento devido e com muita compreensão. 

O ato de brincar nasce da curiosidade e da exploração. Mas tem que ser uma exploração segura. E aqui, deve se ter um cuidado especial com o autista, pois eles não têm noção de perigo. Lembrando que: Curiosidade e exploração são partes do cenário de qualquer brincadeira. 

Por favor, dê os créditos ao autor do artigo, fazendo a referência correta:
MENEZES, Ana Paula Sá. O Ato Terapêutico do Brincar para Crianças com Autismo. Educar FCE, v. 9, n. 1, p. 62-75, out. 2017. Disponível em: http://www.fce.edu.br/pos/educar-fce-9a-edicao 

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