Há muitas
formas de brincadeiras, de muitos diferentes padrões, incluindo (GURUPARENTS,
2015; GUIA MINHA SAÚDE ESPECIAL, 2016; MASEYK, 2017; NATIONAL INSTITUTE FOR
PLAY, 2017):
Entre no link e leia o artigo na íntegra: http://www.fce.edu.br/pos/educar-fce-9a-edicao
✓ Brincadeira de
movimentar o corpo
Qualquer atividade que ajude a criança a desenvolver a sua compreensão
de como funciona o seu corpo, se enquadra nesta categoria. Correr, saltar,
pular, dançar e cantar são atividades alegres que podem ajudar a estimular a
coordenação, mas também ajudam a conduzir a aprendizagem. Este tipo de jogo é
tão importante na medida em que promove a coordenação muscular e também ajuda
as crianças a aprender sobre seu ambiente natural. Por exemplo, saltar melhora
a coordenação da criança e a ensina algo sobre a gravidade. Aliás, o
brincar muitas vezes é um desejo espontâneo de escapar da gravidade. Cantando
canções desenvolve acordes vocais na criança, mas também ensina a criança sobre
música. Entretanto, algumas crianças com TEA não participam nesse tipo de
brincadeira porque podem apresentar um quadro de disfunção de integração
sensorial. Então, o que fazer? Incentivar atividades e brincadeiras que o
ajudem a desenvolver equilíbrio, como agacha-agacha e amarelinha.
✓ Brincar com
objetos
Se a criança está brincando com brinquedos (ou bonecos/as),
batendo um objeto em outro, batendo em tampas de panelas ou chutando uma bola,
estão desenvolvendo sua curiosidade acerca do objeto que está sendo utilizado
no ato de brincar. A mão humana ao manipular objetos, é a mão em busca de um
cérebro. O cérebro está em busca de uma mão. O ato de brincar manipulando
objetos é o meio através do qual mão e cérebro se conectam da melhor forma
possível. Para a criança autista, talvez isso também seja desconcertante, haja
visto que essa criança não sabe usar o brinquedo de maneira adequada. Todavia,
isso pode ser mudado simplesmente com os pais sentando com essa criança no chão
e ensinando a ela como se brinca com o carrinho, com os blocos de montar, com
os bonecos.
✓ Brincadeira
social
Este tipo de brincadeira envolve a interação entre pessoas. Este
tipo de jogo abrange uma série de atividades com a criança, como brincar com
outras crianças e inclui a queda, brincar de lutar, as emoções estampadas no
rosto e a construção de conexões com os outros. Isso também é difícil para o
autista, já que ele tem dificuldade em reconhecer emoções no rosto de outras
pessoas. A importância desse tipo de brincadeira é que brincadeiras sociais são
parte do porquê estarmos aqui hoje convivendo em sociedade, além de ser um
subproduto do cenário da brincadeira. Às crianças pré-escolares, deveria ser
permitido mergulhar, bater, assobiar, gritar, serem caóticas, e desenvolverem a
partir disso, muito de sua regulação emocional e muitos outros subprodutos sociais – cognitivos, emocionais e físicos –, que
fazem parte de uma brincadeira de lutar, por exemplo. Esse tipo de brincadeira
desenvolve consciência social, cooperação, autoestima e amor-próprio.
✓ Brincadeira de
Faz-de-conta
Contar histórias, leituras em conjunto e recontar os eventos do
dia: isso leva a criança à habilidade de tirar um sentido do mundo e descobrir
seu lugar nele. Sempre que uma criança inventa histórias de sua imaginação e
age dentro dessa história ela se encontra envolvida em uma forma única de
brincar. Exemplos incluem brincar de príncipe/princesa, brincar de ser pirata,
dentre outros. Fantasiar ser um personagem imaginário é uma brincadeira muito
importante, pois nos ajuda a criar uma narrativa interna que é a nossa própria
história. A unidade de inteligibilidade da maior parte de nossos cérebros é a
história. Aqui também reside a importância da contação de histórias para os
pequenos. Muitos autistas não conseguirão brincar de fantasiar histórias. Mas,
precisamos encontrar maneiras para superar esse obstáculo. Por que não contar a
história de Peter Pan, que era um menino que voava, já que o autista ama a
sensação de voar?
✓ Brincadeira de
Narrativas
Essa atividade oferece às crianças a oportunidade de compor e
contar histórias por iniciativa própria, que poderão ser ditadas a uma pessoa
designada e, em seguida, essas crianças poderão atuar em suas histórias em
colaboração com outras crianças que escolherem. Nesta sala de aula, a panela
narrativa da atividade tem lugar logo após o café da manhã. Estes eventos
narrativos devem ser voluntários e sem a intervenção de um adulto – mesmo que
mínima. Nenhuma criança é pressionada a contar uma história, as crianças podem
contar qualquer tipo de história que desejam e os adultos são desencorajados a
usar esta oportunidade para corrigir a gramática, o vocabulário ou a estrutura
narrativa das crianças. A metodologia se dá numa determinada ordem: (i)
as crianças sentam em um semicírculo; (ii) todas as histórias criadas durante
esse dia são lidas em voz alta; (iii) a criança-autor escolhe um personagem na
história para brincar e escolhe outras crianças para as funções restantes; (iv) a história é lida em voz alta uma segunda
vez pelo adulto, esclarecendo-se quem é a criança-autor, as crianças-atores e
as demais crianças que restaram que servirão como público. Quando esta prática
é estabelecida como uma parte regular das atividades da sala de aula, todas as
crianças da turma normalmente participam de três papéis inter-relacionados:
compor e ditar histórias, participar da representação de histórias (próprias e
de outras crianças) e assistir ao desempenho das histórias das outras crianças
na classe. Nos EUA, essa prática de storytelling e story-acting é usada com
bastante frequência e há sempre crianças prontas para contar
histórias.
✓ Brincadeiras
Criativas (Modelagem ou Pintura)
Este jogo ocorre quando as crianças usam a imaginação para criar
novas maneiras ou ideias sobre como fazer as coisas. Tende a satisfazer a
necessidade de auto expressão, bem como desenvolver habilidades manuais. É uma
brincadeira que as crianças fazem quando estão apenas querendo ser crianças.
Por exemplo, uma pessoa pode experimentar para encontrar uma nova maneira de usar
um instrumento musical. Permitir que a criança desenvolva habilidades no
processo criativo irá defini-la como um pensador criativo em todas as esferas
da vida. De fato, o pensamento criativo e a resolução criativa de problemas
estão se tornando algumas das principais competências que os empregadores
procuram na força de trabalho. Brincadeiras criativas são uma ótima maneira de
desenvolver as habilidades de comunicação da criança em um ambiente divertido e
solidário. Quando as crianças estão envolvidas com o material escolhido,
percebe-se que elas falam consigo mesmas sobre o que está acontecendo. Isso,
por sua vez, leva a construir seu vocabulário e desenvolver sua
imaginação.
Por favor, dê os créditos ao autor do artigo,
fazendo a referência correta:
MENEZES, Ana
Paula Sá. O Ato Terapêutico do Brincar para Crianças com Autismo. Educar
FCE, v. 9, n. 1, p. 62-75, out. 2017. Disponível em:
http://www.fce.edu.br/pos/educar-fce-9a-edicao
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