sábado, 29 de abril de 2017

Semana 1 - Treinando para a ED

Bem,  estou me preparando para uma possível Educação Domiciliar (ED) do Lucas. Conforme prometido, vou postar diariamente na minha página do Facebook (https://www.facebook.com/lucas.anjo.azul.autismo/) as atividades que faço com o Lucas em termos de alfabetização matemática e científica, além de ensinar a ler e escrever. Sei que a tarefa não vai ser fácil devido à sua condição de autista (grau moderado), mas, como dizia Og Mandino: "o fracasso jamais me surpreenderá se a minha decisão de vencer for suficientemente forte".

Aqui no blog, a postagem será semanal.

O Lucas aprendeu as formas e algumas palavras e números em inglês assistindo no YouTube vídeos de música. Quando eu descobri que ele conhecia, apenas aproveitei e dei continuidade. Como sou professora, e eterna pesquisadora, sempre aproveito o que interessa meu aluno para motivá-lo a aprender. Com meus filhos isso nunca foi diferente. Sou professora 24h por dia.

Depois que coloquei nessa escola que está atualmente, não tinha mais pego o Lucas pra ensinar... A agenda é cheia e cansativa: fonoaudióloga 2 vezes na semana, psicóloga 1 vez e equoterapia... Mas, resolvi voltar a trabalhar com o Lucas novamente.

Trabalho apenas 25min. Por quê? Porque uso a técnica Pomodoro. A Técnica Pomodoro é um método de gerenciamento de tempo desenvolvido pelo italiano Francesco Cirillo no final dos anos 80. O método utiliza um cronometro para dividir as tarefas em períodos de 25 minutos chamados de ‘pomodoros’. Essa gestão de tempo quando aplicada ao estudo, auxilia no controle da ansiedade e ainda permite manter o foco sem interrupções.

Além da técnica, uso o REFORÇO POSITIVO do ABA, lembra? (se ainda não leu o post ABA em casa, sugiro que dê uma paradinha aqui e vá lá dar uma lida... mas, depois volte!).

Vamos lá então... Nesta Semana 1, voltei com as Formas pra ver se ele lembrava e do alfabeto. Trabalhei também o ALINHAVO para sua motricidade fina. O reforço positivo foram as máscaras do Pocoyo. A cada tarefa cumprida, eu desenhava a máscara para que ele pintasse.

Olhem o capricho:

DIA 1

O Lucas está pintando dentro dos limites

Primeiro, desenhamos as formas com a régua de formas e, depois, ele fez a mão livre.

Alinhavo (esse repeti todos os dias)


 Recompensa


Dia 2
O trabalho com as formas foi feito com a régua de formas, na seguinte sequência:
1 - preenchimento da forma e colorindo;
2 - preenchimento da forma tracejada;
3 - ele faria o contorno sozinho.
Duas coisas muito importantes: ANTES de iniciar as tarefas propostas, ele deve ser avisado sobre o que deve ser feito (rotina) e apresentar o REFORÇO POSITIVO. No caso, ele queria a máscara do Pocoyo desde ontem, daí eu aproveitei. Cada criança tem sua motivação.




Dia 3
Hoje, resolvi aplicar um método muito conhecido na Matemática: a Resolução de Problemas! Me lembrei até do prof. Domingos Anselmo na pós perguntando: como se deve começar uma aula de Matemática? E nós respondíamos em uníssono: com um problema!
Bem, a seguir, apresento o problema:
Mostrei ao Lucas um monte de formas da mesma cor e misturadas. Como ele já conhece as formas, eu dificultei apresentando-as na mesma cor. E disse:
"Nossa, Lucas, que bagunça! Ajude a mamãe a arrumar?"
E ele arrumou!
Lembrando que, ANTES de iniciar a tarefa, quando ele vem pra mesa, eu aviso que é hora da tarefinha. E o REFORÇO POSITIVO é a recompensa pela tarefa cumprida. Isso é negociado sempre ANTES. No caso dele: máscara da Ely do Pocoyo.
Descubra o interesse do seu filho... isso ajuda muito!





Dia 4

Hoje o objetivo é ensinar meu filhote nos caminhos do Senhor. De nada adianta ele ser excelente academicamente e não reconhecer que só o Senhor é Deus!
Tema: a criação.
"Instrui o menino no caminho em que deve andar, e até quando envelhecer não se desviará dele". (Pv 22.6)
Ele também acessa um aplicativo da Bible YouVersion para crianças. Maravilhoso! Vale a pena baixar no seu celular!


Dia 5
Hoje, a tarefa consistiu no alinhavo, no jogo de sombras e na colagem. Notei muita dificuldade na colagem porque ele não gostou da textura da cola.Ele também estava com preguiça e não quis o REFORÇO POSITIVO da máscara. Apelei para o pirulito... mesmo assim, nada. Ele fe a atividade, mas não fez questão de caprichar. Observe o desenho como foi pintado. Tenho uma ideia do porquê ele fez isso, mas como não sou psicóloga, vou guardar a opinião para mim mesma... mas, talvez daqui a uns 6 meses eu responda aqui...


em EVA



Outra coisa: diariamente, leio o livro da Cinderela para ele. A proposta é passar 1 mês lendo a mesma história todos os dias. Recomendações do Prof. Carlos Nadalim que tem pesquisa na área de Alfabetizar em casa. Muito bom. Recomendo!


Uso a luva de contação às vezes, embora ele recomende a leitura das palavras mesmo.

ABA em casa

Em 2016, depois da palestra que meu marido assistiu no Dia da Conscientização do Autismo, promovido pelo Colégio Claretiano de Boa Vista-RR, ele começou a desconfiar que o Lucas poderia ter Autismo. Até então, eu achava que autista era aquela criança que ficava sentada num canto se balançando ou fazendo aqueles movimentos de flap com as mãos.


O meu Lucas tinha muitas manifestações específicas de crianças com TEA como, por exemplo: fobias (ele tem pavor a liquidificador e seu barulho); não dormia (uma vez ele passou mais de 24h acordado) e, quando dormia, eram poucas horas (eu parecia um zumbi) - mas, está com 1 ano que ele dorme 10h seguidas; crises de birra e/ou agressividade (se vocês olharem no Facebook as fotos dele de 1,5 aos 4 anos, todas ele tem uma mancha roxa na testa, porque quando ele tinha raiva ele parecia um bode bravo... não sei como não doíam aquelas cabeçadas...) Atualmente, graças a Deus, ele parou com isso, mas o foco da raiva mudou para a minha pessoa. Ele nunca teve problema com textura de comida, mas, até hoje, nos finais de semana, não come arroz, feijão, carne, nem macarrão... só come lanches, do tipo pizza, sanduíche, batata-frita.



Como eu ia dizendo, passei a me interessar mais e mais sobre Autismo. Principalmente, os vídeos do Dr. Clay Brites e da Mayra Gaiato. Lia tudo tudo que se apresentava sobre Autismo. Numa dessas leituras, me deparei com um método chamado ABA.



O modelo ABA ou Applied Behavioral Analysis (Análise Comportamental Aplicada) tem o seu princípio nas teorias comportamentais. Destaca-se por ser extraído da teoria Behaviorista, ou seja, nela se observa, analisa e explica a relação entre o meio, o comportamento e a aprendizagem (UCHÔA, 2015).



O objetivo do ABA consiste em desenvolver competências a nível da comunicação, interação e adaptação ao meio social, tentando que a criança interaja com o meio de forma autônoma, reduzindo as condutas disfuncionais. Para a execução deste método é fundamental a participação e colaboração da família, que deve ser ensinada a aplicar as estratégias trabalhadas nas sessões com a criança, no seu dia-a-dia, nos diferentes contextos e de forma cuidadosamente planificada. As sessões devem estar estruturadas e planeadas de forma individualizada, o ambiente deve ser calmo e estruturado, evitando que a criança se distraia com outros estímulos. Numa primeira fase, é necessário um conhecimento da criança, sendo importante a existência de registos diários dos pais e técnicos. As etapas devem ser devidamente planificadas, sendo necessário a descrição detalhada do comportamento problemático da criança junto do grupo de pares e, sempre que uma tarefa seja cumprida com sucesso deve-se atribuir um reforço positivo. Inicialmente, este reforço deve ser dado imediatamente após a ação, sendo depois, diminuído gradualmente a frequência dos mesmos, até ser eliminado. O reforço social deve ser usado sempre e desde o início da aplicação do método. (BARBOSA, 2014).


Os objetivos da intervenção são (RIBEIRO, 2010):
 1. Trabalhar os déficits, identificando os comportamentos que a criança tem dificuldades ou até inabilidades e que prejudicam sua vida e suas aprendizagens.
2. Diminuir a freqüência e intensidade de comportamentos de birra ou indesejáveis, como, por exemplo: agressividade, estereotipias e outros que dificultam o convívio social e aprendizagem deste indivíduo.
 3. Promover o desenvolvimento de habilidades sociais, comunicativas, adaptativas, cognitivas, acadêmicas etc.
4. Promover comportamentos socialmente desejáveis

Apesar de ser muito usado nos EUA, aqui no Brasil, apesar de muito "falado", poucas pessoas sabem realmente usá-lo. Também já há pesquisas mais recentes na área. Por isso, é bom que você se informe pra poder argumentar com alguns profissionais especializados que pararam no tempo, nunca mais fizeram um curso de atualização. Vou dar um exemplo: por ser um método baseado em Skinner (estímulo-recompensa), alguns autores defendem o uso de punições quando o autista não responde adequadamente ao que a terapeuta se propõe, punições como  (i) uso de estímulos que provocam repulsa (sumo de limão; sons...); (ii) time out (sair alguns minutos, com vigilância); (iii) restrições físicas durante a crise. 


Outros autores (ANDRADE et al, 2014; RIBEIRO, 2010; LEAR, 2004)  discordam da punição (como culturalmente a conhecemos), pois acreditam que, ao punir uma criança por determinado comportamento, mostramos a ela o que ela não deve fazer, mas não ensinamos maneiras alternativas de se comportar.  A punição NÃO é usada em um programa ABA. É importante ressaltar que este programa não é aversivo e rejeita qualquer tipo de punição.



O melhor material que encontrei sobre ABA é o da Lear (2004):



O objetivo do Programa em ritmo auto-estabelecido “Ajude-nos a aprender” (“Help Us Learn Self-Paced Training Program for ABA”) é tornar a metodologia de ensino da Análise do Comportamento Aplicada (ABA - abreviação de Applied Behavioral Analysis) mais fácil de aprender e de usar; bem como torná-la acessível a mais pessoas a um custo barato. Foi escrito por uma mãe para pais; professores, terapeutas, assistentes educacionais, provedores de serviços, tias, tios, acompanhantes, monitores de acampamento, babás, avós e qualquer pessoa que tenha a oportunidade de fazer diferença na vida de uma criança com autismo. O programa foi planejado para atender as necessidades de dois diferentes grupos de pessoas: as famílias ou professores que não têm acesso a um consultor ou psicólogo especializados em ABA, não pode pagar pelo serviço ou não quer esperar para começar o trabalho; famílias e professores que estão dirigindo um programa de ABA e precisam de um meio eficaz e barato para treinar novos professores de ABA. Se os professores forem bem treinados, as crianças serão bem ensinadas.



Bem, em quase 10 meses de ABA em casa (dentro de minhas possibilidades), gostei muito do tal de REFORÇO POSITIVO. Pode fazer que dá certo. 



Espero ter ajudado!


REFERÊNCIAS

ANDRADE, Aline Abreu e et al. Manual da Equipe ABA e Autismo. 2014. Disponível em: <https://pt.slideshare.net/nataraujoalves/manual-aba>. Acesso em: 29 abr. 2017.

BARBOSA, Nicole. Autismo e Respostas Educativas no Contexto Escolar. 2014. Disponível em: <http://repositorio.uportu.pt/jspui/bitstream/11328/1201/1/TME%20534%20ex.3.pdf>. Acesso em: 29 abr. 2017.

Bezerra, R. da S. A inclusão de alunos com autismo na escola regular: desafios e perspectivas. 2014. 40f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Pedagogia)- Universidade Estadual da Paraíba, Campina Grande, 2014. Disponível em: <http://dspace.bc.uepb.edu.br/jspui/bitstream/123456789/4046/1/PDF%20-%20Regiclaudia%20da%20Silva%20Bezerra.pdf>. Acesso em: 29 abr. 2017.

LEAR, K. Ajude-nos a aprender. 2004. Disponível em: <http://www.autismo.psicologiaeciencia.com.br/wp-content/uploads/2012/07/Autismo-ajude-nos-a-aprender.pdf>. Acesso em: 29 abr. 2017.

RIBEIRO, Sabrina. ABA: uma intervenção comportamental eficaz em casos de autismo. 2010. Disponível em: <http://www.revistaautismo.com.br/edic-o-0/aba-uma-intervenc-o-comportamental-eficaz-em-casos-de-autismo>. Acesso em: 29 abr. 2017.

UCHÔA, Yasmin Figueiredo. A criança autista na Educação Infantil: desafios e possibilidades na educação inclusiva. 2015. Disponível em: <http://dspace.bc.uepb.edu.br/jspui/bitstream/123456789/7959/1/PDF%20-%20Yasmim%20Figueiredo%20Uch%C3%B4a.pdf>. Acesso em: 29 abr. 2017.




quarta-feira, 26 de abril de 2017

Mitos e Verdades do Autismo

Gente, no AUTISMO, INFORMAÇÃO É TUDO.


Desde que houve a possibilidade de o Lucas ter autismo que venho devorado livros, revistas e artigos científicos sobre o tema. Acompanho blogs e canais do YouTube. Inclusive, indico dois no YouTube: Neurosaber (do Dr. Clay Brites) e da psicóloga Mayra Gaiato.



Sempre que vocÊs puderem, leiam... a pior coisa para o desenvolvimento do autista é a nossa falta de leitura. Precisamos ajudar nossos filhos! Comece vendo esses dois canais supracitados e vá buscando mais e mais. Nem sempre a escola está preparada ou, pior, só sabem teorias mirabolantes, mas não sabem na realidade o que é o AUTISMO.



Achei muito interessante esse artigo da revista Ler&Saber sobre AUTISMO que resolvi repassar essas informações aqui. Se você conseguir achar ainda nas bancas, compre, pois tem ótimos artigos!



O AUTISMO SEMPRE SE MANIFESTA NOS PRIMEIROS MESES DE VIDA DA CRIANÇA?

Nem sempre
De acordo com o DSM 5, o TEA deve se manifestar até os 3 anos de idade.Passando dessa idade, já seria outra comorbidade.


É IMPOSSÍVEL SE COMUNICAR COM UM AUTISTA

Mito
O autista, como qualquer outra pessoa que receba estimulação, vai se comunicar de alguma forma, seja apenas com o olhar ou com gestos. Os estágios para a conversação são outra história, mas a comunicação existe desde o início. Euzinha posso dizer que toda mãe de autista conhece o filho só de olhar... não me pergunte como desenvolvemos isso.


AS ESCOLAS NÃO PODEM COLOCAR CRIANÇAS AUTISTAS EM SALAS REGULARES

Depende
Há casos e casos! O que hoje se fala de inclusão, na realidade, é uma exclusão disfarçada (o que eu concordo plenamente com a autora!). Colocar um autista numa sala com 30 alunos trará mais danos do que benefícios. Quando se fala hoje de INCLUSÃO, devemos avaliar cada caso e ver as reais possibilidades dessa criança para não prejudicar o seu processo de desenvolvimento.


EXISTE CURA PARA O AUTISMO

Mito
Não existe cura para o TEA. O que pode existir é redução de até 95% dos sintomas.


OS AUTISTAS GOSTAM DE CARINHO

Verdade
Eles são extremamente carinhosos, são muito sensíveis, amam elogios (o meu Lucas é assim!). O que deve ser observado é que, num 1o contato, precisamos cuidar pra não invadir o espaço dele sem a permissão dele.


AUTISTAS NÃO ENTENDEM NADA DO QUE ACONTECE AO SEU REDOR

Mito
Eles entendem basicamente tudo (o meu parece uma antena parabólica! presta atenção em tuuuuuudo!). Eles entendem inclusive as emoções esboçadas pelas pessoas.


AUTISTAS VIVEM EM UM MUNDO PRÓPRIO (AUSENTES)

Mito
Vivem em sua própria noção de realidade, seja ela isolada ou estimulatória, mas não ausente, nunca ausente. Muitos não sabem como começar uma conversa, estabelecer um contato, então eles esperam a nossa iniciativa.


AUTISTAS TÊM INTELIGÊNCIA SUPERIOR AOS DEMAIS

Mito
A grande maioria tem inteligência normal ou abaixo da média (a neuropediatra do Lucas me disse que 90% possui retardo mental), mas há os superdotados (dos 10% que não possuem retardo mental, 5% apresentam inteligência muito acima da média... são os Aspergen).


O AUTISMO TEM FORTES COMPONENTES HEREDITÁRIOS

Mito
Pesquisas indicam que 50% são componentes hereditários e os 50%, fatores ambientais.


NÃO HÁ EXAMES MÉDICOS PARA DIAGNOSTICAR O TEA

Verdade
No momento, são solicitados exames para descarte de outras comorbidades.

Consultoria: Emanoele Freitas, escritora, pesquisadora, palestrante, mediadora escolar e familiar, além de presidente e fundadora da Associação de Apoio à Pessoa Autista (AAPA).

terça-feira, 25 de abril de 2017

O Transtorno de Conduta

Bem... depois daqueles 2 fatos marcantes de 2015 e da conversa decisiva que tive com a minha amiga Adriana Wenderlich, resolvi levar o Lucas a uma neurologista. Essa tarefa não foi nada fácil, pois fui informada que na cidade só havia 3 neuros... e os 3, particulares, nada de convênio...  Bem, fui no 1o que consegui: Dra. Elizabeth.


O Lucas estava bem agitado, pois tivemos que esperar quase 30min para sermos atendidos. Ao entrarmos, contei como ele era, as dificuldades, as birras, as reclamações da Creche Curumin. Em menos de 20min, a médica deu o diagnóstico: Transtorno de Conduta. Dei um suspiro aliviado e a médica olhou bem séria pra mim e disse: a senhora não está entendendo... o caso é grave...



Eu olhei pra ela com lágrimas nos olhos e disse: olha, doutora, se ele tem um problema, vamos arregaçar as mangas e resolver.



Ela olhou pra mim novamente e repetiu a mesma frase... acho que me achou meio débil... mas, naquele momento, eu descobri que meu filho não era mal-educado, sem limites... ele nascera com um "defeito" e eu iria em busca de tudo para que fosse curado. Note que, até então, eu desconhecia que TRANSTORNO não tem cura.



Ela passou uma ressonância magnética e aí foi outro estresse, pois meu filho teve que ser sedado... quase morro chorando... Fizemos campanha na igreja, passamos 21 dias de espera orando no meu grupo de intercessão de mulheres... mas, para honra e glória de meu Deus, meu filho não tem danos cerebrais.



Fui toda contente levar o exame... mas daí a médica joga um balde de água fria em meu rosto: olhe, mãezinha, tire esse sorrisinho do rosto... ele pode ter na adolescência uma depressão (característica do Transtorno de Conduta) e tentar suicídio. Eu repreendi mentalmente: tá amarrado em nome de Jesus!



Saí de lá e, como boa professora do Ensino Superior, fui pesquisar sobre o que seria o tal de Transtorno de Conduta...



O transtorno da conduta é um dos transtornos psiquiátricos mais frequentes na infância e um dos maiores motivos de encaminhamento ao psiquiatra infantil. Lembramos que o transtorno da conduta não deve ser confundido com o termo "distúrbio da conduta", utilizado no Brasil de forma muito abrangente e inespecífica para nomear problemas de saúde mental que causam incômodo no ambiente familiar e/ou escolar. Por exemplo, crianças e adolescentes desobedientes, com dificuldade para aceitar regras e limites e que desafiam a autoridade de pais ou professores costumam ser encaminhados aos serviços de saúde mental devido a "distúrbios da conduta". No entanto, os jovens que apresentam tais distúrbios nem sempre preenchem critérios para a categoria diagnóstica "transtorno da conduta". Portanto, o termo "distúrbio da conduta" não é apropriado para representar diagnósticos psiquiátricos. (BORDIN; OFFORD, 2000).



Confesso que fui ficando assustada com o que lia em todos os artigos que pesquisei... meu filho seria um marginal no futuro: incendiário, maltrataria animais, estupraria mulheres...



Fui mais a fundo na pesquisa e descobri que esse transtorno (estatisticamente falando) só dava em adolescentes. Mas, em compensação, havia um tal de TOD (Transtorno Opositivo-Desafiador) que dava na infância. Porém, eu também não achava que meu filho pudesse ter nem um, nem outro. Por quê? O tal de Transtorno de Conduta estava riscado porque aparecia na adolescência (e o meu estava na 1a infância)... quanto ao TOD, meu filho não falava, então não tinha como argumentar com o outro quando precisasse se defender dos mal-feitos. Então o que poderia ser??



Bem... mas, focando no tema do POST, eu precisava desse laudo para que meu filho tivesse direito a uma acompanhante na escola.



O Lucas, nessa altura do campeonato, estava bem pior... não queria saber de interação com ninguém, não queria sair de casa ou, do nada, queria ir passear de carro, já não falava mais. Ainda usava fraldas. Começou a ser seletivo com a comida. Na escola, não brincava com os coleguinhas. Era agressivo. Mas, eu ainda não desconfiava de Autismo.



Isso foi ocorrendo até o dia 02 de abril de 2016 quando o Colégio em que ele estudava (Claretiano de Boa Vista-RR, cuja diretora é a minha amiga Adriana, supracitada) resolveu promover uma palestra sobre AUTISMO com a Dra. Charlote, neuropediatra.



O que aconteceu depois disso? em outro POST eu conto...



PS: Acho importante deixar aqui os sinais de Transtorno de Conduta (pois o negócio é sério mesmo e quanto antes identificar os sinais e levar ao médico, melhor ainda):



O quadro clínico do transtorno da conduta é caracterizado por comportamento anti-social persistente com violação de normas sociais ou direitos individuais. Os critérios diagnósticos do DSM-IV para transtorno da conduta incluem 15 possibilidades de comportamento anti-social: (1) freqüentemente persegue, atormenta, ameaça ou intimida os outros; (2) freqüentemente inicia lutas corporais; (3) já usou armas que podem causar ferimentos graves (pau, pedra, caco de vidro, faca, revólver); (4) foi cruel com as pessoas, ferindo-as fisicamente; (5) foi cruel com os animais, ferindo-os fisicamente; (6) roubou ou assaltou, confrontando a vítima; (7) submeteu alguém a atividade sexual forçada; (8) iniciou incêndio deliberadamente com a intenção de provocar sérios danos; (9) destruiu propriedade alheia deliberadamente (não pelo fogo); (10) arrombou e invadiu casa, prédio ou carro; (11) mente e engana para obter ganhos materiais ou favores ou para fugir de obrigações; (12) furtou objetos de valor; (13) freqüentemente passa a noite fora, apesar da proibição dos pais (início antes dos 13 anos); (14) fugiu de casa pelo menos duas vezes, passando a noite fora, enquanto morava com os pais ou pais substitutos (ou fugiu de casa uma vez, ausentando-se por um longo período); e (15) falta na escola sem motivo, matando aulas freqüentemente (início antes dos 15 anos). Os critérios diagnósticos do DSM-IV para transtorno da conduta aplicam-se a indivíduos com idade inferior a 18 anos e requerem a presença de pelo menos três desses comportamentos nos últimos 12 meses e de pelo menos um comportamento anti-social nos últimos seis meses, trazendo limitações importantes do ponto de vista acadêmico, social ou ocupacional (BORDIN; OFFORD, 2000).


REFERÊNCIA
BORDIN, Isabel AS; OFFORD, David R. Transtorno da conduta e comportamento anti-social. Rev. Bras. Psiquiatr.,  São Paulo ,  v. 22, supl. 2, p. 12-15,  Dec.  2000 .   Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462000000600004&lng=en&nrm=iso>. access on  25  Apr.  2017.  

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Treinando para a Educação Domiciliar

EDUCAÇÃO DOMICILIAR ou HOMESCHOOLING  é simplesmente o ato de educar crianças em idade escolar nas suas próprias casas ao invés de em alguma escola. 


Comecei a me interessar mais por isso com a ida do Lucas à escola... mas, confesso que sempre concordei com essa prática tão comum nos EUA (apesar das críticas). Estou insatisfeita com as escolas públicas no que diz respeito ao trabalho com crianças com AUTISMO, além da necessidade de construir laços familiares mais robustos com meu filhote (desculpem-me, mas sou contra o ENSINO INTEGRAL OBRIGATÓRIO). Isso sem falar do péssimo ensino (e que vai piorar porque segundo a nova Reforma, não será necessário nem que o professor tenha LICENCIATURA... pasmem!!!).



Assim, me deparei com uma página do Facebook (https://www.facebook.com/Anededucacaodomiciliar/) falando sobre a temática e já estou lendo tudo o que posso e me preparando pra trabalhar com meu Lucas a partir de 2019 em casa. Não durmo à noite só de imaginar meu filho numa escola sofrendo não somente com o Bullying mas com o descaso de muitos professores despreparados pra lidarem com o TEA - Transtorno do Espectro Autista.


Em vista disso, criei uma página no Facebook (https://www.facebook.com/lucas.anjo.azul.autismo/) e este blog para postar (registro mesmo) o que vou trabalhar com ele em casa diariamente, apesar de ele estar matriculado regularmente em uma escola de inclusão.


Não existe nada na lei brasileira que desabone os pais ou responsáveis, a optar pela prática do homeschooling. Porém não existe nenhuma lei que regularize isso, o que dá brechas para processos judiciais e visitas indesejadas de conselheiros tutelares. Bom, para nossa alegria, No dia 22 de Novembro de 2016 o Ministro do Supremo Eduardo Barroso, sobrestou todos o processos relacionados à educação domiciliar. Ou seja, ninguém mais pode ser processado no país até que a educação domiciliar possa ser julgada pelo próprio STF.



Sugiro um artigo muito interessante: Homeschooling: uma alternativa constitucional à falência da educação no Brasil, de autoria do Dr. Alexandre Magno Fernandes Moreira, no link http://bdjur.stj.jus.br/jspui/bitstream/2011/23751/homeschooling_alternativa_constitucional_falencia.pdf


Outra página interessante é o da DSc. Isabel Lyman, PhD e autora do livro The Homeschooling Revolution, sobre o moderno movimento de educação domiciliar. Seus artigos já foram publicados em jornais e revistas como Miami Herald, Wall Street Journal, Dallas Morning News, Pittsburgh Tribune-Review, Investor's Business Daily, Boston Herald, Los Angeles Daily Journal, National Review, Chronicles, Daily Oklahoman, e outras publicações. 


Boa leitura!

PS: Vou postar no blog as Atividades semanalmente e no Facebook, diariamente.

Carol, afinal quem é Carol?

Carol foi uma pessoa muito especial que apareceu na vida de meu anjo agora em 2017, mas, que teve que ir em busca de seu lugar ao sol.

Ela foi a monitora do Lucas no período de 14/03 a 24/04/2017. Apesar do curto espaço de tempo, ela se mostrou um divisor de águas na vida de meu filhote!

O Lucas até que iniciou bem na Escola Classe do RCG aqui em Brasília. Até me surpreendeu. Mas, depois de 15 dias, teve um retrocesso... não podia dar o horário do banho antes do almoço que o "show" começava. Chutava, dava cabeçada, me mordia... e eu naquele estresse!

Chegava na escola eram 3 pessoas prendendo ele no chão e me dizendo que eu deveria ir embora... me partia o coração (só pra constar, depois que li um artigo sobre CONTENÇAO DE AUTISTA, NUNCA MAIS deixo fazerem isso com meu filho!!!) - LINK: http://www.polbr.med.br/ano04/art1204b.php

Então... do dia 16/02 até o dia 15/03 era um verdadeiro inferno de Dante deixar o Lucas na escola... até que no dia 16/02, estou chegando já estressada, me preparando para o show daquele dia (show porque todos os outros pais olhavam aquilo e só sabiam me dizer: uma hora ele acostuma... mal sabiam eles que desde 2014 passo por isso), quando vejo a Carol lá fora de braços abertos pra pegar o Lucas no colo. Gente, vocês não têm noção... o abençoadinho foi pro colo dela como se nunca tivesse chorado na vida! Todo dia agora na hora do banho basta eu dizer: "você vai ver a tia Carol!" . Ela foi tão sensível ao Lucas que observou que ele gostava do Pocoyo e começou a fazer desenhos do Pocoyo pra ele pintar na escola. E essa é a nova paixão do Lucas: pintar.

O Lucas não sabia nem segurar um lápis. Não gostava de jeito nenhum de pintar! Em menos de 1 mês, ele não só está gostando de pintar com lápis-de-cor como está pintando dentro dos limites. E tudo isso nós devemos a essa menina-moça que, apesar de nunca ter cuidado de um autista, não somente soube cuidar como soube ensiná-lo a pintar e descobriu que ele se sente melhor quando pegam ele no colo ainda fora da escola! Como agradecer uma pessoa assim? Nem com 1 milhão de OBRIGADA!

E minha ida à escola tinha sido um céu desde então... até hoje! rsrsrsrs

O Lucas só forma frases de até 3 palavras e ontem, domingo, me surpreendeu ao falar: "carol-escola-amanhã" em entonação de pergunta. Quase choro de emoção! Eu disse que SIM! 

Carol, você é uma pessoa muito especial em nossas vidas! Sei que vai ser uma excelente Enfermeira! Precisamos de profissionais sensíveis como você! Que Deus a cubra de bênçãos e unção de conquista, de vitória e de prosperidade em nome de Jesus!

PS: Em outro post, mostrarei as pinturas do Lucas!




Dois fatos que marcaram nossas vidas em 2015

Não há uma data certa... apenas, lá no fundo, no fundo, eu sabia que havia algo diferente.
O Lucas sempre interagiu com a família! Sempre foi (e é!) extremamente amoroso! Sempre olhou nos olhos, sempre fez tudo na idade certa... até completar 1,5 ano... como tenho hoje certeza disso? Porque tive que fazer um álbum dele para a Fonoaudióloga e percebi ao fazer a Linha do Tempo.
Todos diziam que era coisa da minha cabeça... ou que ele era sem limites...
Dois fatos marcaram minha vida no ano de 2015:
(i) Um médico "louco" da Emagrecentro;
(ii) A dona da escola Curumin em Boa Vista-RR.
Vou contar as duas histórias, mas, por favor, note que, até aqui, nem me passava pela cabeça a possibilidade do Lucas ter AUTISMO.


A CLÍNICA EMAGRECENTRO

Vou contar sobre o que ocorreu na clínica de Boa Vista-RR (não sei se nas outras ocorre isso). Numa das minhas aplicações da injeção com o médico, tive que levar o Lucas, pois não tinha com quem deixá-lo neste dia. É muito desorganizado quanto a essa aplicação... Neste dia foram quase 2h de espera. Lotado. O Lucas sem paciência. Pra passar o tempo, ele começou a correr no corredor de um lado para o outro. Isso por uns 20min... e eu atrás, implorando pra ele ficar quieto. Nessa época, já sabia que se eu fosse gritar ou pegar pelo braço, era pior... bem pior!
Pois bem... eu fui quase a última a ser atendida. Quando eu entrei com ele, o médico se virou para ele com uma injeção na mão e disse que ia aplicar uma injeção nele para ele se comportar... pense no meu assombro e no assombro do Lucas, com apenas 3 aninhos. O médico começou a gritar comigo perguntando se eu não notava que meu filho era um completo retardado que não sabia nem falar. Confesso que, até hoje, não sei como permaneci calada... acho que nem eu acreditava que aquilo estava realmente acontecendo. Não apliquei nada e nunca mais apareci na clínica.
Mas, pela 1a vez, um médico concordava comigo que não era normal uma criança de 3 anos não formular frases. Confio muito na Palavra de Deus quando diz que "tudo coopera para o bem daqueles que amam a Deus (Rm 8).
Foi então que comecei a pesquisar sobre o porquê de meu filho aparentemente perfeito não formular frases. Ele sempre cantou músicas inteiras, mas na hora de falar, NADA!
Daí, descobri uma doutora chamada Elisabetde Glusti que falava sobre a APRAXIA (atraso na fala). Comecei a ler sobre isso. Enviei e-mail pra ela na época, mas até hoje, não recebi resposta.


A ESCOLA CURUMIN EM BOA VISTA-RR

Ele entrou na Creche Curumin em 2014, com 1 ano e 10 meses. Avisei na escola das cabeçadas na parede e das mordidas... mas, não estava preparada para o que vinha a seguir. Foram 2 anos com esse menino fazendo um escândalo diário na porta da escola para não entrar. Aliás, o escândalo começava quando eu pegava o caminho da escola (ele é um GPS humano). Não fez amizade com nenhum coleguinha na escola, apenas com um que tem Síndrome de Down. Quase morri de susto com medo dele machucar a criança, mas as professoras (que também não entendiam aquilo) me disseram que ele cuidava do Heitor, era super carinhoso com ele. 
Bem, a dona da escola, psicopedagoga, psicóloga, uma das melhores de Boa Vista (pelo menos ela se autointitulava), me chamou e disse que o Lucas não tinha limites e que eu deveria usar uma "vara" para dar educação a ele. Experimentei dar-lhe umas palmadas de vez em quando. Tenho mais dois filhos, uma de 22, casada com um médico, aluna de Enfermagem de uma Universidade Federal e outro de 20, aluno de Computação, também de uma Universidade Federal. Os dois apanharam quando pequenos, mas surra mesmo só dei uma vez e me sinto mal até hoje... choro quando lembro... eles dão risada de mim!
O que observei é que o Lucas não responde bem à violência física. Ele fica pior. Se você falar com ele com calma, consegue tudo o que quer. Entretanto, na escola, não tinha jeito. 
A dona me chamou outra vez e disse que, pro Lucas, uma surra só não bastava... tinha que ser umas 3 pelo menos. Disse que os pais tinham medo do comportamento dele, que não queriam os filhos deles perto do meu. Isso foi numa sexta. No sábado, levei-o ao shopping e ele brincou alegremente com outras crianças, mas ao chegar um coleguinha da escola, ele simplesmente fechou a cara, virou as costas e pediu pra ir embora. Esqueci de comentar: ele pisoteava a farda em casa. Resultado: tirei-o da escola.
Foi um mês de muito choro meu e muito "mea culpa". Sempre trabalhei demais e achava que poderia ser apenas o jeito dele de chamar minha atenção...

Bem, por que esses 2 fatos foram marcantes?
Porque depois da conversa com a dona da creche, fui pro trabalho desesperada, chorando muito... e uma de minhas colegas, coordenadora do curso de Administração da FARES (onde eu era professora na época), me escutou e me aconselhou a buscar uma neuro... u fui.

Quer saber o resultado?

Vou falar na outra postagem...

FIM DE 2015


Lucas, meu anjo azul

Olá!

Meu nome é Ana Paula e fui mãe de meu 3o filho aos 42 anos. Tive diabetes gestacional e uma gravidez difícil.
Meu Lucas nasceu uma criança perfeita no dia 16/04/2012. Era uma criança normal até eu observar que, ao 1,5 ano, ele simplesmente começou a regredir na fala. O termo é esse mesmo: regredir. Se antes ele fala algumas palavras com perfeição - inclusive com o R bem puxado -, simplesmente, parou de falar.
Ele não formava frases, falava na 3a pessoa, tinha birras terríveis, era agressivo com ele mesmo.
Eu levava ao pediatra, mas todos diziam com aquela cara de condescendência: "mãezinha, seu filho não tem nada!", ou "como você é mais velha, deve mimar muito ele!"... Hoje percebo que, se os pediatras fossem bem mais informados sobre AUTISMO teriam diagnosticado meu filho mais cedo.
Meu filho foi diagnosticado no dia 13/01/2017 já morando em Brasília.
Esse blog é para contar minha história e dessa pessoinha linda que me ensina tanta coisa todo santo dia!
Espero que ajude a tantas mães que, como eu, se sentem às vezes tão perdidas e tão só!
Um beijo no coração de todos e, vamos em frente, porque não temos tempo a perder!

Portfólio 2021 - Homeschooling

  APRESENTAÇÃO   Lucas é autista, nível 2, QI limítrofe. Tem 9 anos. Oficialmente, iniciamos o HS em 2019 ao nos mudarmos para Nioaque-M...