Em 2016, depois da palestra que meu marido assistiu no Dia da Conscientização do Autismo, promovido pelo Colégio Claretiano de Boa Vista-RR, ele começou a desconfiar que o Lucas poderia ter Autismo. Até então, eu achava que autista era aquela criança que ficava sentada num canto se balançando ou fazendo aqueles movimentos de flap com as mãos.
O meu Lucas tinha muitas manifestações específicas de crianças com TEA como, por exemplo: fobias (ele tem pavor a liquidificador e seu barulho); não dormia (uma vez ele passou mais de 24h acordado) e, quando dormia, eram poucas horas (eu parecia um zumbi) - mas, está com 1 ano que ele dorme 10h seguidas; crises de birra e/ou agressividade (se vocês olharem no Facebook as fotos dele de 1,5 aos 4 anos, todas ele tem uma mancha roxa na testa, porque quando ele tinha raiva ele parecia um bode bravo... não sei como não doíam aquelas cabeçadas...) Atualmente, graças a Deus, ele parou com isso, mas o foco da raiva mudou para a minha pessoa. Ele nunca teve problema com textura de comida, mas, até hoje, nos finais de semana, não come arroz, feijão, carne, nem macarrão... só come lanches, do tipo pizza, sanduíche, batata-frita.
Como eu ia dizendo, passei a me interessar mais e mais sobre Autismo. Principalmente, os vídeos do Dr. Clay Brites e da Mayra Gaiato. Lia tudo tudo que se apresentava sobre Autismo. Numa dessas leituras, me deparei com um método chamado ABA.
O modelo ABA ou Applied Behavioral Analysis (Análise Comportamental
Aplicada) tem o seu princípio nas teorias comportamentais. Destaca-se por ser extraído da teoria Behaviorista, ou seja, nela se observa, analisa e explica a relação entre o meio, o comportamento e a aprendizagem (UCHÔA, 2015).
O objetivo do ABA consiste em desenvolver competências a nível da
comunicação, interação e adaptação ao meio social, tentando que a criança interaja
com o meio de forma autônoma, reduzindo as condutas disfuncionais.
Para a execução deste método é fundamental a participação e colaboração da
família, que deve ser ensinada a aplicar as estratégias trabalhadas nas sessões com a
criança, no seu dia-a-dia, nos diferentes contextos e de forma cuidadosamente
planificada.
As sessões devem estar estruturadas e planeadas de forma individualizada, o
ambiente deve ser calmo e estruturado, evitando que a criança se distraia com outros
estímulos. Numa primeira fase, é necessário um conhecimento da criança, sendo
importante a existência de registos diários dos pais e técnicos. As etapas devem ser devidamente planificadas, sendo necessário a descrição
detalhada do comportamento problemático da criança junto do grupo de pares e,
sempre que uma tarefa seja cumprida com sucesso deve-se atribuir um reforço
positivo. Inicialmente, este reforço deve ser dado imediatamente após a ação, sendo
depois, diminuído gradualmente a frequência dos mesmos, até ser eliminado. O
reforço social deve ser usado sempre e desde o início da aplicação do método. (BARBOSA, 2014).
Os objetivos da intervenção são (RIBEIRO, 2010):
1. Trabalhar os déficits, identificando os comportamentos
que a criança tem dificuldades ou até inabilidades e que prejudicam sua vida e
suas aprendizagens.
2. Diminuir a freqüência e intensidade de comportamentos de
birra ou indesejáveis, como, por exemplo: agressividade, estereotipias e outros
que dificultam o convívio social e aprendizagem deste indivíduo.
3. Promover o desenvolvimento de habilidades sociais,
comunicativas, adaptativas, cognitivas, acadêmicas etc.
4. Promover comportamentos socialmente desejáveis
Apesar de ser muito usado nos EUA, aqui no Brasil, apesar de muito "falado", poucas pessoas sabem realmente usá-lo. Também já há pesquisas mais recentes na área. Por isso, é bom que você se informe pra poder argumentar com alguns profissionais especializados que pararam no tempo, nunca mais fizeram um curso de atualização. Vou dar um exemplo: por ser um método baseado em Skinner (estímulo-recompensa), alguns autores defendem o uso de punições quando o autista não responde adequadamente ao que a terapeuta se propõe, punições como (i) uso de estímulos que provocam repulsa (sumo de limão; sons...); (ii) time out (sair alguns minutos, com vigilância); (iii) restrições físicas durante a crise.
Outros autores (ANDRADE et al, 2014; RIBEIRO, 2010; LEAR, 2004) discordam da punição (como culturalmente a conhecemos), pois acreditam que, ao punir uma criança por determinado comportamento, mostramos a ela o que ela não deve fazer, mas não ensinamos maneiras alternativas de se comportar. A punição NÃO é usada em um programa ABA. É importante ressaltar que este programa não é aversivo e
rejeita qualquer tipo de punição.
O melhor material que encontrei sobre ABA é o da Lear (2004):
O objetivo do Programa em ritmo auto-estabelecido “Ajude-nos a aprender” (“Help Us
Learn Self-Paced Training Program for ABA”) é tornar a metodologia de ensino da
Análise do Comportamento Aplicada (ABA - abreviação de Applied Behavioral Analysis)
mais fácil de aprender e de usar; bem como torná-la acessível a mais pessoas a um custo
barato. Foi escrito por uma mãe para pais; professores, terapeutas, assistentes
educacionais, provedores de serviços, tias, tios, acompanhantes, monitores de
acampamento, babás, avós e qualquer pessoa que tenha a oportunidade de fazer diferença
na vida de uma criança com autismo.
O programa foi planejado para atender as necessidades de dois diferentes grupos de
pessoas: as famílias ou professores que não têm acesso a um consultor ou psicólogo
especializados em ABA, não pode pagar pelo serviço ou não quer esperar para começar o
trabalho; famílias e professores que estão dirigindo um programa de ABA e precisam de
um meio eficaz e barato para treinar novos professores de ABA.
Se os professores forem bem treinados, as crianças serão bem ensinadas.
Bem, em quase 10 meses de ABA em casa (dentro de minhas possibilidades), gostei muito do tal de REFORÇO POSITIVO. Pode fazer que dá certo.
Espero ter ajudado!
ANDRADE, Aline Abreu e et al. Manual da Equipe ABA e Autismo. 2014. Disponível em: <https://pt.slideshare.net/nataraujoalves/manual-aba>. Acesso em: 29 abr. 2017.
BARBOSA, Nicole. Autismo e Respostas Educativas no Contexto Escolar. 2014. Disponível em: <http://repositorio.uportu.pt/jspui/bitstream/11328/1201/1/TME%20534%20ex.3.pdf>. Acesso em: 29 abr. 2017.
Bezerra, R. da S. A inclusão de alunos com autismo na escola regular: desafios e perspectivas. 2014. 40f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Pedagogia)- Universidade Estadual da Paraíba, Campina Grande, 2014. Disponível em: <http://dspace.bc.uepb.edu.br/jspui/bitstream/123456789/4046/1/PDF%20-%20Regiclaudia%20da%20Silva%20Bezerra.pdf>. Acesso em: 29 abr. 2017.
LEAR, K. Ajude-nos a aprender. 2004. Disponível em: <http://www.autismo.psicologiaeciencia.com.br/wp-content/uploads/2012/07/Autismo-ajude-nos-a-aprender.pdf>. Acesso em: 29 abr. 2017.
RIBEIRO, Sabrina. ABA: uma intervenção comportamental eficaz em casos de autismo. 2010. Disponível em: <http://www.revistaautismo.com.br/edic-o-0/aba-uma-intervenc-o-comportamental-eficaz-em-casos-de-autismo>. Acesso em: 29 abr. 2017.
UCHÔA, Yasmin Figueiredo. A criança autista na Educação Infantil: desafios e possibilidades na educação inclusiva. 2015. Disponível em: <http://dspace.bc.uepb.edu.br/jspui/bitstream/123456789/7959/1/PDF%20-%20Yasmim%20Figueiredo%20Uch%C3%B4a.pdf>. Acesso em: 29 abr. 2017.
Nenhum comentário:
Postar um comentário