Bem... depois daqueles 2 fatos marcantes de 2015 e da conversa decisiva que tive com a minha amiga Adriana Wenderlich, resolvi levar o Lucas a uma neurologista. Essa tarefa não foi nada fácil, pois fui informada que na cidade só havia 3 neuros... e os 3, particulares, nada de convênio... Bem, fui no 1o que consegui: Dra. Elizabeth.
O Lucas estava bem agitado, pois tivemos que esperar quase 30min para sermos atendidos. Ao entrarmos, contei como ele era, as dificuldades, as birras, as reclamações da Creche Curumin. Em menos de 20min, a médica deu o diagnóstico: Transtorno de Conduta. Dei um suspiro aliviado e a médica olhou bem séria pra mim e disse: a senhora não está entendendo... o caso é grave...
Eu olhei pra ela com lágrimas nos olhos e disse: olha, doutora, se ele tem um problema, vamos arregaçar as mangas e resolver.
Ela olhou pra mim novamente e repetiu a mesma frase... acho que me achou meio débil... mas, naquele momento, eu descobri que meu filho não era mal-educado, sem limites... ele nascera com um "defeito" e eu iria em busca de tudo para que fosse curado. Note que, até então, eu desconhecia que TRANSTORNO não tem cura.
Ela passou uma ressonância magnética e aí foi outro estresse, pois meu filho teve que ser sedado... quase morro chorando... Fizemos campanha na igreja, passamos 21 dias de espera orando no meu grupo de intercessão de mulheres... mas, para honra e glória de meu Deus, meu filho não tem danos cerebrais.
Fui toda contente levar o exame... mas daí a médica joga um balde de água fria em meu rosto: olhe, mãezinha, tire esse sorrisinho do rosto... ele pode ter na adolescência uma depressão (característica do Transtorno de Conduta) e tentar suicídio. Eu repreendi mentalmente: tá amarrado em nome de Jesus!
Saí de lá e, como boa professora do Ensino Superior, fui pesquisar sobre o que seria o tal de Transtorno de Conduta...
O transtorno da conduta é um dos transtornos psiquiátricos mais frequentes na infância e um dos maiores motivos de encaminhamento ao psiquiatra infantil. Lembramos que o transtorno da conduta não deve ser confundido com o termo "distúrbio da conduta", utilizado no Brasil de forma muito abrangente e inespecífica para nomear problemas de saúde mental que causam incômodo no ambiente familiar e/ou escolar. Por exemplo, crianças e adolescentes desobedientes, com dificuldade para aceitar regras e limites e que desafiam a autoridade de pais ou professores costumam ser encaminhados aos serviços de saúde mental devido a "distúrbios da conduta". No entanto, os jovens que apresentam tais distúrbios nem sempre preenchem critérios para a categoria diagnóstica "transtorno da conduta". Portanto, o termo "distúrbio da conduta" não é apropriado para representar diagnósticos psiquiátricos. (BORDIN; OFFORD, 2000).
Confesso que fui ficando assustada com o que lia em todos os artigos que pesquisei... meu filho seria um marginal no futuro: incendiário, maltrataria animais, estupraria mulheres...
Fui mais a fundo na pesquisa e descobri que esse transtorno (estatisticamente falando) só dava em adolescentes. Mas, em compensação, havia um tal de TOD (Transtorno Opositivo-Desafiador) que dava na infância. Porém, eu também não achava que meu filho pudesse ter nem um, nem outro. Por quê? O tal de Transtorno de Conduta estava riscado porque aparecia na adolescência (e o meu estava na 1a infância)... quanto ao TOD, meu filho não falava, então não tinha como argumentar com o outro quando precisasse se defender dos mal-feitos. Então o que poderia ser??
Bem... mas, focando no tema do POST, eu precisava desse laudo para que meu filho tivesse direito a uma acompanhante na escola.
O Lucas, nessa altura do campeonato, estava bem pior... não queria saber de interação com ninguém, não queria sair de casa ou, do nada, queria ir passear de carro, já não falava mais. Ainda usava fraldas. Começou a ser seletivo com a comida. Na escola, não brincava com os coleguinhas. Era agressivo. Mas, eu ainda não desconfiava de Autismo.
Isso foi ocorrendo até o dia 02 de abril de 2016 quando o Colégio em que ele estudava (Claretiano de Boa Vista-RR, cuja diretora é a minha amiga Adriana, supracitada) resolveu promover uma palestra sobre AUTISMO com a Dra. Charlote, neuropediatra.
O que aconteceu depois disso? em outro POST eu conto...
PS: Acho importante deixar aqui os sinais de Transtorno de Conduta (pois o negócio é sério mesmo e quanto antes identificar os sinais e levar ao médico, melhor ainda):
O quadro clínico do transtorno da conduta é caracterizado por comportamento anti-social persistente com violação de normas sociais ou direitos individuais. Os critérios diagnósticos do DSM-IV para transtorno da conduta incluem 15 possibilidades de comportamento anti-social: (1) freqüentemente persegue, atormenta, ameaça ou intimida os outros; (2) freqüentemente inicia lutas corporais; (3) já usou armas que podem causar ferimentos graves (pau, pedra, caco de vidro, faca, revólver); (4) foi cruel com as pessoas, ferindo-as fisicamente; (5) foi cruel com os animais, ferindo-os fisicamente; (6) roubou ou assaltou, confrontando a vítima; (7) submeteu alguém a atividade sexual forçada; (8) iniciou incêndio deliberadamente com a intenção de provocar sérios danos; (9) destruiu propriedade alheia deliberadamente (não pelo fogo); (10) arrombou e invadiu casa, prédio ou carro; (11) mente e engana para obter ganhos materiais ou favores ou para fugir de obrigações; (12) furtou objetos de valor; (13) freqüentemente passa a noite fora, apesar da proibição dos pais (início antes dos 13 anos); (14) fugiu de casa pelo menos duas vezes, passando a noite fora, enquanto morava com os pais ou pais substitutos (ou fugiu de casa uma vez, ausentando-se por um longo período); e (15) falta na escola sem motivo, matando aulas freqüentemente (início antes dos 15 anos). Os critérios diagnósticos do DSM-IV para transtorno da conduta aplicam-se a indivíduos com idade inferior a 18 anos e requerem a presença de pelo menos três desses comportamentos nos últimos 12 meses e de pelo menos um comportamento anti-social nos últimos seis meses, trazendo limitações importantes do ponto de vista acadêmico, social ou ocupacional (BORDIN; OFFORD, 2000).
REFERÊNCIA
BORDIN, Isabel AS; OFFORD, David R. Transtorno da conduta e comportamento anti-social. Rev. Bras. Psiquiatr., São Paulo , v. 22, supl. 2, p. 12-15, Dec. 2000 . Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462000000600004&lng=en&nrm=iso>. access on 25 Apr. 2017.
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