Não há uma data certa... apenas, lá no fundo, no fundo, eu sabia que havia algo diferente.
O Lucas sempre interagiu com a família! Sempre foi (e é!) extremamente amoroso! Sempre olhou nos olhos, sempre fez tudo na idade certa... até completar 1,5 ano... como tenho hoje certeza disso? Porque tive que fazer um álbum dele para a Fonoaudióloga e percebi ao fazer a Linha do Tempo.
Todos diziam que era coisa da minha cabeça... ou que ele era sem limites...
Dois fatos marcaram minha vida no ano de 2015:
(i) Um médico "louco" da Emagrecentro;
(ii) A dona da escola Curumin em Boa Vista-RR.
Vou contar as duas histórias, mas, por favor, note que, até aqui, nem me passava pela cabeça a possibilidade do Lucas ter AUTISMO.
A CLÍNICA EMAGRECENTRO
Vou contar sobre o que ocorreu na clínica de Boa Vista-RR (não sei se nas outras ocorre isso). Numa das minhas aplicações da injeção com o médico, tive que levar o Lucas, pois não tinha com quem deixá-lo neste dia. É muito desorganizado quanto a essa aplicação... Neste dia foram quase 2h de espera. Lotado. O Lucas sem paciência. Pra passar o tempo, ele começou a correr no corredor de um lado para o outro. Isso por uns 20min... e eu atrás, implorando pra ele ficar quieto. Nessa época, já sabia que se eu fosse gritar ou pegar pelo braço, era pior... bem pior!
Pois bem... eu fui quase a última a ser atendida. Quando eu entrei com ele, o médico se virou para ele com uma injeção na mão e disse que ia aplicar uma injeção nele para ele se comportar... pense no meu assombro e no assombro do Lucas, com apenas 3 aninhos. O médico começou a gritar comigo perguntando se eu não notava que meu filho era um completo retardado que não sabia nem falar. Confesso que, até hoje, não sei como permaneci calada... acho que nem eu acreditava que aquilo estava realmente acontecendo. Não apliquei nada e nunca mais apareci na clínica.
Mas, pela 1a vez, um médico concordava comigo que não era normal uma criança de 3 anos não formular frases. Confio muito na Palavra de Deus quando diz que "tudo coopera para o bem daqueles que amam a Deus (Rm 8).
Foi então que comecei a pesquisar sobre o porquê de meu filho aparentemente perfeito não formular frases. Ele sempre cantou músicas inteiras, mas na hora de falar, NADA!
Daí, descobri uma doutora chamada Elisabetde Glusti que falava sobre a APRAXIA (atraso na fala). Comecei a ler sobre isso. Enviei e-mail pra ela na época, mas até hoje, não recebi resposta.
A ESCOLA CURUMIN EM BOA VISTA-RR
Ele entrou na Creche Curumin em 2014, com 1 ano e 10 meses. Avisei na escola das cabeçadas na parede e das mordidas... mas, não estava preparada para o que vinha a seguir. Foram 2 anos com esse menino fazendo um escândalo diário na porta da escola para não entrar. Aliás, o escândalo começava quando eu pegava o caminho da escola (ele é um GPS humano). Não fez amizade com nenhum coleguinha na escola, apenas com um que tem Síndrome de Down. Quase morri de susto com medo dele machucar a criança, mas as professoras (que também não entendiam aquilo) me disseram que ele cuidava do Heitor, era super carinhoso com ele.
Bem, a dona da escola, psicopedagoga, psicóloga, uma das melhores de Boa Vista (pelo menos ela se autointitulava), me chamou e disse que o Lucas não tinha limites e que eu deveria usar uma "vara" para dar educação a ele. Experimentei dar-lhe umas palmadas de vez em quando. Tenho mais dois filhos, uma de 22, casada com um médico, aluna de Enfermagem de uma Universidade Federal e outro de 20, aluno de Computação, também de uma Universidade Federal. Os dois apanharam quando pequenos, mas surra mesmo só dei uma vez e me sinto mal até hoje... choro quando lembro... eles dão risada de mim!
O que observei é que o Lucas não responde bem à violência física. Ele fica pior. Se você falar com ele com calma, consegue tudo o que quer. Entretanto, na escola, não tinha jeito.
A dona me chamou outra vez e disse que, pro Lucas, uma surra só não bastava... tinha que ser umas 3 pelo menos. Disse que os pais tinham medo do comportamento dele, que não queriam os filhos deles perto do meu. Isso foi numa sexta. No sábado, levei-o ao shopping e ele brincou alegremente com outras crianças, mas ao chegar um coleguinha da escola, ele simplesmente fechou a cara, virou as costas e pediu pra ir embora. Esqueci de comentar: ele pisoteava a farda em casa. Resultado: tirei-o da escola.
Foi um mês de muito choro meu e muito "mea culpa". Sempre trabalhei demais e achava que poderia ser apenas o jeito dele de chamar minha atenção...
Bem, por que esses 2 fatos foram marcantes?
Porque depois da conversa com a dona da creche, fui pro trabalho desesperada, chorando muito... e uma de minhas colegas, coordenadora do curso de Administração da FARES (onde eu era professora na época), me escutou e me aconselhou a buscar uma neuro... u fui.
Quer saber o resultado?
Vou falar na outra postagem...
FIM DE 2015
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