quarta-feira, 3 de maio de 2017

Será que é Autismo?

Depois que meu marido assistiu à palestra com a Dra. Charlote, neuropediatra, no Colégio Claretiano, passei a pesquisar sobre Autismo.

Eu (como 99% de todos que conheço) pensava que autista era aquela criança que ficava sentada num canto e balançando o corpo, não falava e vivia num mundo a parte. Comecei a pesquisar no Google e aparecia Asperger e Autismo. E eu faltava enlouquecer porque eu não sabia em qual dos dois o Lucas se encaixava. Vou confessar uma coisa a vocês e sei que muitos irão me criticar... mas eu sempre quis ter um filho superdotado... achava o máximo aqueles geniozinhos... como professora de Física, então, eu imaginava um futuro Isaac Newton misturado com um Stephen Hawking. CALMA! Hoje, eu sei que, apesar de gênios, essas crianças têm muitos problemas de relacionamento e interação social. Mas, como eu sempre digo, a pior coisa que existe é a ignorância... e eu ignorava esse universo! E, apesar das leituras que faço, tenho convicção que preciso ler e MUITO. Às vezes, não durmo à noite porque eu penso: não vai dar tempo de eu ler tudo o que eu preciso ler pra ajudar meu filho! Coisas de mãe de autista.

Um belo dia, pesquisando no meu amado Google, achei um vídeo do Dr. Clay Brites (que não acho mais em nenhum local do YouTube que tirou muitas de minhas dúvidas. Ovídeo era simplesmente M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O! Aquele médico (Dr. Clay Brites) estava falando tudo do meu filho... Ele explicava o que era o tal do TEA - Transtorno do Espectro Autista - e dava as 3 principais características. Depois, vim descobrir que tudo o que falam do TEA está num tal de DSM-5. Embora esteja na versão 5, muitos ainda citam a versão 4:
O QUE É AUTISMO?
O autismo é um Transtorno Global do Desenvolvimento (TGD), também conhecido como Transtorno do Espectro Autista (TEA), caracterizado pela tríade: (i) dificuldades na interação social, (ii) dificuldades na comunicação verbal e não-verbal e (iii) por comportamentos e interesses bastante restritos e repetitivos (ASSOCIAÇÃO AMERICANA DE PSICOLOGIA, 2003).

Qual a novidade do DSM-V? 
Os “Transtornos globais do desenvolvimento”, que incluíam o Autismo, Transtorno desintegrativo da infância e as Síndromes de Asperger e Rett, foram absorvidos por um único diagnóstico, o Espectro, daí o nome hoje em dia ser "Transtorno do Espectro Autistaou TEA.
A mudança refletiu a visão científica de que aqueles transtornos são na verdade uma mesma condição com gradações em dois grupos de sintomas: Déficit na comunicação e interação social; Padrão de comportamentos, interesses e atividades restritos e repetitivos. Apesar da crítica de alguns clínicos que argumentam que existem diferenças significativas entre os transtornos, a apa entendeu que não há vantagens diagnósticas ou terapêuticas na divisão e observa que a dificuldade em subclassificar o transtorno poderia confundir o clínico dificultando um diagnóstico apropriadoSeguindo a proposta de lançar um olhar longitudinal sobre o curso dos transtornos mentais, o DSM-5 excluiu o capítulo “Transtornos geralmente diagnosticados pela primeira vez na infância ou na adolescência”. Parte dos diagnósticos do extinto capítulo passou a compor os “Transtornos do neurodesenvolvimento” (ARAÚJO; LOTUFO NETO, 2013)

Bem, depois de tanto termo técnico, você deve estar se perguntando: afinal, como vou saber se meu filho tem TEA??? 

O diagnóstico não é fácil. Não existe "exame" para comprovar o TEA... O Lucas passou 6 meses com uma neuropediatra que não conseguia fechar o diagnóstico. O pior disso é que ficamos com a esperança de que nosso filho não tenha TEA, mas continua o desespero de saber o que ele tem. Pior: quanto mais cedo for tratado, maiores são as chances do autista ter uma melhora em sua qualidade de vida. Como vou poder proporcionar essa melhora se não conseguem fechar o diagnóstico?????????

Partindo desse princípio, achei interessante um vídeo do Dr. Clay Brites: 5 Passos para o Diagnóstico do TEAApresento aqui apenas os passos (é importante que você assista ao vídeo completo):
1 - Entrevista detalhada com os pais;
2 - Reunir fotos e vídeos da criança;
3 - Depoimento de Profissionais;
4 - Utilizar escalas de avaliação estruturadas;
5 - Dados de história familiar.

Gente, não é fácil. Apesar de todas as evidências, eu torcia que a neuropediatra dissesse: olha, mãezinha, não é Autismo.
Agora, corro atrás do prejuízo desse diagnóstico tardio. Fico pensando em quantas mães estão por aí sem condições financeiras de pagar um psicólogo, um fonoaudiólogo para seus filhos porque sem diagnóstico, como um clínico vai encaminhar essa criança a esses especialistas? E nas escolas? Quantas crianças são rotuladas de crianças-problema, sem limites, birrentas e mal-educadas? Quantos professores conseguem ser sensíveis e reconhecer os traços da personalidade de um autista? E o bullying? Numa sociedade como a que vivemos, como salvar nossos filhos tão imaturos e ingênuos?

São essas perguntas que me fazem companhia em minhas madrugadas insone...


ASSOCIAÇÃO AMERICANA DE PSIQUIATRIA. Manual Diagnóstico e Estatístico dos Distúrbios Mentais -DSM-IV-TR. 4. ed. Revisado, 2003.

5 Passos para o Diagnóstico do TEA: <https://www.youtube.com/watch?v=LeUFFN-I1ic>.

ARAÚJO, Álvaro Cabral; LOTUFO NETO, Francisco. A nova classificação americana para os transtornos mentais – o dsm-5. Jornal da Psicanálise,v. 46, n. 85, p. 99-116. 2013. Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/pdf/jp/v46n85/v46n85a11.pdf>.

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